Mih Wilde Finalmente o dia que todos esperavam chegou. Menos eu. Se pudesse congelar o tempo ou apagar o dia 11 de março da minha existência, eu o teria feito. Eu queria, do fundo do meu coração, não ter que completar dezoito anos hoje. Para a maioria das garotas, a maioridade é o símbolo da liberdade; para mim, Mih Wilde, era o início de uma sentença de prisão perpétua banhada a ouro e aparências.— Você está linda, filha — a voz de minha mãe, Greice, ecoou pelo quarto.Virei-me lentamente, o peso do vestido de noiva arrastando-se pelo chão. No espelho, eu parecia uma boneca de porcelana: meus 1,50 metros de altura sumiam sob as camadas de tule, meus longos cabelos loiros iam até a cintura e meus olhos azul-claro brilhavam com lágrimas contidas.— Obrigada, mãe — respondi com um sorriso forçado.O aperto no peito era sufocante. Como meu avô, Antônio, pôde me prometer, com uma semana de vida, a um homem vinte e um anos mais velho? Um ator famoso com fama de mulherengo que eu passei a
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