Capítulo 7

Gabriel Mendes

Eu simplesmente não conseguia entender o motivo de tanta hostilidade. Por que, sendo eu o marido legítimo dela, eu só recebia em troca o seu mais profundo desprezo, sua falta de paciência e uma frieza que congelava minha alma? Eu havia tentado de tudo nos últimos dias. Tentei dar espaço, tentei ser gentil, compreensivo e até preparei o café da manhã com minhas próprias mãos na esperança de ver um único sorriso verdadeiro naquele rosto angelical. Mas nada parecia funcionar com Mih. Ela me enxergava como um monstro possessivo, um inimigo que havia roubado sua preciosa liberdade, quando, na verdade, eu era apenas um homem completamente fascinado por ela desde o primeiro instante em que a vi descer aquela grande escadaria de mármore no dia do nosso casamento.

Ainda mantendo o corpo dela firme contra a parede fria do corredor, desviei meus olhos dos dela por um breve segundo e olhei diretamente para os lábios entreabertos da Mih. Ela continuava ali, totalmente presa contra a superfície, respirando de forma acelerada e com as bochechas coradas de pura indignação. Olhar para aquela boca perfeita me causou um impacto avassalador. Que vontade incontrolável de beijá-la tomou conta do meu ser naquele momento de extrema tensão. A última vez em que eu havia provado o sabor doce daqueles lábios tinha sido no altar do nosso casamento, sob uma chuva de aplausos falsos que arruinou o momento. Desde então, eu passava as noites em claro assistindo-a dormir, desejando tocá-la, mas me contendo para não assustá-la ainda mais.

No entanto, a minha paciência havia chegado ao limite absoluto com suas acusações injustas e seu distanciamento doloroso. Se fosse para ela me dar outro tapa violento no rosto logo em seguida, que me desse de uma vez por todas. Eu não me importava mais com as consequências ou com o seu orgulho ferido. Eu ia beijá-la de qualquer maneira. Cedi aos meus instintos mais primitivos, segurei firmemente a sua cintura pequena com as duas mãos e baixei meu corpo para ficar exatamente na sua altura, eliminando qualquer vestígio de ar que ainda restasse entre nós dois. Antes de avançar, percebi pelo canto do olho que minha assistente pessoal e duas empregadas domésticas continuavam paradas no final do corredor, assistindo à nossa discussão com olhares curiosos e cheios de um julgamento mesquinho. Aquela intromissão me irritou profundamente.

— FORA! — gritei com toda a força dos meus pulmões, a minha voz ecoando com uma autoridade estrondosa pelas paredes da mansão, fazendo as funcionárias darem um sobressalto de susto e correrem apressadas em direção à área de serviço para sumirem da minha vista.

Imediatamente após o grito de ordem, virei meu rosto e ataquei os lábios da Mih com uma urgência que eu já não conseguia mais conter dentro do peito.

— O que... — Mih tentou protestar, a voz dela morrendo em um sussurro abafado contra a minha boca enquanto eu começava a beijá-la loucamente.

Ela tentou se debater no começo do contato físico, empurrando meus ombros largos com suas mãos pequenas e movendo a cabeça para os lados em uma tentativa desesperada de se afastar de mim e do meu domínio. Mas eu não recuei. Intensifiquei o aperto em sua cintura, demonstrando toda a minha força e o desejo acumulado que me consumia por dentro. Senti o corpo dela estremecer contra o meu. Lentamente, a resistência dela começou a fraquejar diante da ardência do momento. Para a minha total surpresa e completo delírio, Mih logo começou a responder ao beijo na mesma intensidade avassaladora, abrindo a boca para permitir que nossas línguas se encontrassem em uma dança faminta e totalmente descontrolada. Aquela capitulação acendeu um fogo imediato nas minhas veias.

A paixão nos envolveu de tal forma que o mundo ao redor pareceu simplesmente desaparecer. Sem cortar o beijo por um único segundo, passei minhas mãos por baixo de suas coxas e a peguei no colo com total facilidade. Instintivamente, buscando apoio para não cair, Mih entrelaçou suas pernas longas ao redor da minha cintura, colando ainda mais nossos quadris enquanto seus dedos cravavam-se nos meus cabelos loiros. Eu caminhava de volta até o sofá da sala de estar de forma meio desajeitada, guiado apenas pelo calor do corpo dela e pela necessidade mútua de continuarmos colados daquela maneira íntima. Cada passo parecia carregar uma eternidade de desejo reprimido.

Assim que alcancei o móvel de couro, a coloquei deitada com cuidado sobre o estofado macio, sem romper a conexão viciante dos nossos lábios. Continuei beijando ela com uma fome insaciável, posicionando meu corpo pesado diretamente entre suas pernas abertas, sentindo a maciez de sua pele contra a minha. A atmosfera na sala estava carregada de uma eletricidade pura. Minha mente já não raciocinava de forma lógica; eu era apenas puro instinto e necessidade de posse. Com uma das mãos, levantei lentamente uma de suas pernas até a altura da minha cintura, abrindo ainda mais o espaço entre nós, enquanto a outra mão segurava suas coxas com uma firmeza possessiva que a impedia de fugir daquele momento. O calor que emanava dela era inebriante. Senti o tecido do uniforme escolar dela e, lentamente, com o coração martelando fortemente contra as minhas costelas, minha mão direita começou a deslizar pela lateral de sua coxa, subindo com ousadia até alcançar a borda delicada da sua calcinha de renda.

Mih soltou um gemido baixo contra a minha boca, um som que misturava rendição e desejo puro, o que só serviu para aumentar o meu próprio descontrole físico. Eu queria mais. Queria torná-la minha de verdade ali mesmo, sem me importar com o contrato, com os pais ou com o passado que nos separava de tantas maneiras. Minhas pontas dos dedos acariciaram a pele sensível de seu quadril, prontos para avançar e retirar a última barreira que nos afastava da consumação daquela atração magnética. Ela arranhou de leve as minhas costas por cima da camisa, entregando-se completamente ao ritmo frenético que havíamos criado juntos naquele sofá. O cheiro dela, uma mistura de baunilha com o suor leve da excitação, preenchia todos os meus sentidos de forma absoluta.

— Papai, mamãe — a vozinha doce e inocente do Noah ecoou de repente vinda da entrada da sala, cortando o momento como uma lâmina afiada de gelo.

O som da voz do meu filho nos atingiu como um balde de água fria. O encanto que nos envolvia quebrou-se instantaneamente em mil pedaços. Mih congelou sob o meu corpo no mesmo milésimo de segundo, os olhos azuis dela se arregalando em puro choque e constrangimento ao perceber o que estávamos prestes a fazer bem ali na sala de estar. Afastei meus lábios dos dela com rapidez, a minha respiração saindo completamente curta e audível no silêncio que se instalou de forma abrupta. Olhei para o lado por cima do meu ombro, ainda posicionado entre as pernas da minha esposa, e vi Noah de pé perto do batente da porta, segurando seu ursinho de pelúcia velho e nos observando com uma expressão confusa e curiosa.

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