O retorno de Júlia foi silencioso.
Não houve anúncios, nem necessidade de contar tudo de imediato. Ela entrou em casa com a mala leve, o corpo cansado e a mente desperta demais para o fim da tarde. Deixou os sapatos perto da porta, passou os dedos pelo encosto do sofá como quem reconhece um território familiar e respirou fundo.
Sentia-se diferente.
Não maior.
Mais alinhada.
O celular vibrou na mesa.
Daniel:
Chegou?
Ela sorriu antes de responder.
Júlia:
Cheguei. Inteira.
A resposta demorou alguns minutos, o que era raro. Júlia não interpretou. Apenas foi até a cozinha, preparou um chá e se sentou à mesa, sentindo o corpo desacelerar. Quando o telefone vibrou novamente, a mensagem era curta.
Daniel:
Posso te ver hoje?
Ela pensou por um instante. Não porque tivesse dúvida. Mas porque queria sentir se o desejo vinha da saudade ou da escolha. Sorriu ao perceber que vinha dos dois… e isso não era conflito.
Júlia:
Pode.
Daniel chegou uma hora depois. Não bateu à porta com pressa. Tocou a cam