O café da manhã terminou sem pressa, como se o tempo tivesse decidido respeitar aquele intervalo raro em que nada precisava ser resolvido. Júlia lavou as xícaras enquanto Daniel secava a mesa, os gestos simples criando uma intimidade que não precisava de explicação. Era ali, naquele cotidiano quase banal, que ela percebia o quanto tudo tinha mudado.
Antes, amor era intensidade constante.
Agora, era continuidade.
— Você vai sair hoje? — Daniel perguntou, encostando-se ao balcão.
— Vou — Júlia respondeu. — Tenho uma reunião à tarde. Depois, talvez eu fique fora um pouco. — Olhou para ele. — Se tudo bem.
Daniel sorriu de leve.
— Está mais do que bem. — Fez uma pausa. — Obrigado por avisar sem pedir permissão.
Ela sentiu um calor leve no peito.
— Obrigada por ouvir sem interpretar — respondeu.
Daniel se aproximou, beijou-a com suavidade e pegou as chaves.
— A gente se fala — disse.
— A gente se encontra — ela corrigiu, sorrindo.
Ele riu antes de sair.
Sozinha, Júlia sentiu aquela mistura