A resposta para o convite chegou rápida demais para permitir hesitação confortável.
Júlia abriu o e-mail ainda de pijama, o cabelo preso de qualquer jeito, o café esfriando ao lado do notebook. O texto era formal, objetivo, quase frio para algo que fazia o coração bater daquele jeito. Data definida. Horário marcado. Expectativa alta.
Ela fechou a tela devagar.
Não sorriu de imediato.
Não entrou em pânico.
Sentiu o peso real da escolha se acomodar nos ombros.
Sentou-se à mesa e ficou ali por alguns minutos, olhando o nada. Pensava em Daniel. Pensava no acordo silencioso que tinham construído. Pensava, sobretudo, em si mesma. Na Júlia que antes teria pedido permissão. Na Júlia que teria adiado. Na Júlia que teria diminuído o próprio brilho para não incomodar.
Essa Júlia não estava mais ali.
Ela aceitou.
O clique foi simples. O impacto, não.
Pouco depois, o telefone tocou. Daniel.
— Eu senti — ele disse, antes mesmo que ela falasse.
Júlia riu baixo.
— Aceitei — respondeu.
Houve um silênc