O bloqueio do número de Helena não trouxe alívio imediato. Júlia percebeu isso ao acordar no dia seguinte com o coração ainda inquieto, como se o corpo estivesse alguns passos atrás da decisão racional. A mente sabia que tinha feito o certo. O emocional ainda estava processando.
Ela levantou-se cedo, abriu as janelas, deixou a luz entrar. Precisava ocupar o espaço antes que pensamentos ocupassem por ela. Preparou café, tomou banho, escolheu uma roupa com mais cuidado do que o normal. Não para alguém. Para si.
Enquanto se arrumava, pensava em Daniel. Não com desconfiança, mas com saudade viva, daquela que aperta o peito e, ao mesmo tempo, aquece. Pegou o celular e releu a última mensagem dele da noite anterior. Nada extraordinário. Apenas presença.
Confio em você.
Essas três palavras tinham um peso diferente agora. Júlia percebeu que nunca tinha vivido um amor onde confiança não fosse moeda de troca, mas base. Não precisava provar nada. Não precisava se defender.
Ainda assim, Helena ti