Tudo é escuridão. Mas não aquela escuridão total, é uma daquelas que pulsa. Que vibra como um tambor surdo atrás dos olhos. Tem gosto metálico na boca, tem peso no peito. E tem dor.
Um zumbido cresce devagar nos meus ouvidos, como se eu estivesse debaixo d'água. Tento me mexer, mas meu corpo não responde. Sinto o chão frio sob as costas — ou talvez seja a cama? Não sei. Só sei que tem algo errado. O mundo gira mesmo de olhos fechados. Tento respirar fundo, mas o ar entra raso. Curto. Trêmulo.