Já se passaram dois dias. Dois dias sem ouvir a voz dela, sem ver o rosto, sem sentir nem o peso do olhar atravessando o corredor. Dois dias com aquela porta fechada, como uma sentença. Como um muro que eu mesmo levantei.
Estou na sala, sentado na beirada do sofá, com os cotovelos nos joelhos e as pernas balançando num ritmo nervoso que me denuncia. As paredes parecem mais estreitas, o ar mais denso. Cada estalo da casa, cada passo no andar de cima, me faz levantar o rosto na esperança de que s