O rodei nos dedos, sentindo o vidro frio. Cada segundo de hesitação era um segundo a mais que aquela dívida sangrenta pendia sobre a cabeça de Lorena e Alana.
Sobre o futuro que eu estava tentando construir a partir dos escombros.
Liguei e o toque pareceu ecoar na sala vazia.
Ele atendeu atendeu na segunda chamada.
— Diogo.
A voz do meu amigo veio calma, como se estivesse sorrindo um tempo antes… Mas mudou, ele reconheceu o meu tom.
— Rafael. Tudo em ordem?
Respirei fundo, tentando achar uma calma que não existia mais.
Minha voz saiu tensa, carregada de uma fadiga que ia até os ossos.
— Diogo… vou precisar da sua ajuda. Tua e do Alessandro.
Do outro lado, ouvi um suspiro. Não de irritação, mas de prontidão, ele sabia que quando eu pedia assim, o buraco era fundo.
— O que aconteceu?
Meus olhos subiram involuntariamente em direção ao teto, para onde ela dormia. Toda a razão disso.
Toda a minha fraqueza e a minha força. Eu não podia quebrar.
— Te explico quando nos encontrarmos. —