Cap.156

O rodei nos dedos, sentindo o vidro frio. Cada segundo de hesitação era um segundo a mais que aquela dívida sangrenta pendia sobre a cabeça de Lorena e Alana.

Sobre o futuro que eu estava tentando construir a partir dos escombros.

Liguei e o toque pareceu ecoar na sala vazia.

Ele atendeu atendeu na segunda chamada.

— Diogo.

A voz do meu amigo veio calma, como se estivesse sorrindo um tempo antes… Mas mudou, ele reconheceu o meu tom.

— Rafael. Tudo em ordem?

Respirei fundo, tentando achar uma calma que não existia mais.

Minha voz saiu tensa, carregada de uma fadiga que ia até os ossos.

— Diogo… vou precisar da sua ajuda. Tua e do Alessandro.

Do outro lado, ouvi um suspiro. Não de irritação, mas de prontidão, ele sabia que quando eu pedia assim, o buraco era fundo.

— O que aconteceu?

Meus olhos subiram involuntariamente em direção ao teto, para onde ela dormia. Toda a razão disso.

Toda a minha fraqueza e a minha força. Eu não podia quebrar.

— Te explico quando nos encontrarmos. —
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