A porta do quarto fechou com um clique quase inaudível, mas para mim, soou como o fim de um mundo.
Aqui embaixo, na sala silenciosa, o ar ainda carregava o eco do desespero dela.
Eduardo estava parado perto da janela, olhando para o nada com o perfil duro como pedra.
Desci os últimos degraus, o peso de tudo começando a se acomodar nos meus ombros, um peso diferente da mira do rifle, mais complicado.
— Ela dormiu — disse, minha voz saindo mais áspera do que eu pretendia.
Ele apenas fez que sim com a cabeça, sem se virar.
— A culpa vai comer ela viva, Rafael. Você ouviu ela dizendo que tinha sido culpa dela.
— Ela vai aprender que não é e vai levar um tempo. — Aproximei-me, encostando na ombreira da porta.
A perna doía, um latejar constante e insistente, mas era o de menos.
— Conta a verdade sobre a família dela.
Eduardo suspirou, um som que parecia sair pesado.
E se virou, esfregando os olhos com o polegar e o indicador. A máscara de irmão protetor rachou por um segundo, mostra