Cap.155

A porta do quarto fechou com um clique quase inaudível, mas para mim, soou como o fim de um mundo.

Aqui embaixo, na sala silenciosa, o ar ainda carregava o eco do desespero dela.

Eduardo estava parado perto da janela, olhando para o nada com o perfil duro como pedra.

Desci os últimos degraus, o peso de tudo começando a se acomodar nos meus ombros, um peso diferente da mira do rifle, mais complicado.

— Ela dormiu — disse, minha voz saindo mais áspera do que eu pretendia.

Ele apenas fez que sim com a cabeça, sem se virar.

— A culpa vai comer ela viva, Rafael. Você ouviu ela dizendo que tinha sido culpa dela.

— Ela vai aprender que não é e vai levar um tempo. — Aproximei-me, encostando na ombreira da porta.

A perna doía, um latejar constante e insistente, mas era o de menos.

— Conta a verdade sobre a família dela.

Eduardo suspirou, um som que parecia sair pesado.

E se virou, esfregando os olhos com o polegar e o indicador. A máscara de irmão protetor rachou por um segundo, mostra
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