GIO— Paul, entenda uma coisa , você não tem culpa de Filippo não ter o seu sobrenome, — eu disse, segurando a respiração como quem segura uma porta prestes a ser arrombada, porque eu sabia que, a partir daquela palavra, tudo mudava de lugar. — Você me ajudou no passado e, como consequência daquela única noite, nasceu a melhor coisa da minha vida, o meu filho, Felippo.— Paul não desviou o olhar nem um segundo; ele apenas me encarou como se eu tivesse colocado um espelho diante dele e, nesse espelho, a vida que ele não viveu estivesse finalmente respirando. O maxilar dele travou, o peito subiu, e eu percebi que ele estava lutando contra o impulso de dizer mais do que podia, mais do que devia, mais do que seria prudente para um homem casado.— Nosso — ele corrigiu, numa voz baixa, com o peso de quem tenta se apropriar de algo que sempre lhe pertenceu sem saber.— Sim, nosso! — eu concordei, sentindo a palavra tocar a minha língua como se fosse doce
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