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Capítulo 4 — Guarde o veneno para a sua noite de núpcias.

POV Lara Bellini

O espelho do meu closet não refletia uma noiva; refletia uma fraude de alta costura. Com as mãos ainda trêmulas, apliquei a terceira camada de corretivo sobre a marca deixada pelos dedos da minha mãe. A pele ardia, um lembrete físico de que o meu valor de mercado era a única coisa que mantinha o teto desta mansão sobre as nossas cabeças. Cada batida da esponja contra o meu rosto era um lembrete da hipocrisia que eu estava prestes a encenar.

— Você está pronta, Lara? — Elisabeth entrou no quarto sem bater. Seus olhos escanearam meu rosto com a frieza de um joalheiro avaliando um diamante falso. — Onde está o seu brilho? William Weiss está entrando no pátio agora.

— O meu brilho morreu no escritório, mamãe. Sob a sola do sapato daqueles cobradores — respondi, minha voz saindo mais gélida do que eu pretendia. — E a marca no meu rosto? Consegui esconder o "carinho" que você me deu ou ainda parece que sou uma filha desobediente?

Elisabeth ignorou o sarcasmo. Ela se aproximou, ajustando o colar de pérolas no meu pescoço com tanta força que senti que ela estava, na verdade, testando a resistência da minha traqueia.

— Guarde o veneno para a sua noite de núpcias. Agora, você tem um papel a desempenhar. Lembre-se: você é a joia intocada dos Bellini. Um deslize, uma palavra errada sobre a sua "escapada" de ontem, e o castelo de cartas desmorona. Se ele desconfiar que você não é virgem, ele anula o contrato e seu pai não sobrevive à próxima semana. Entendido?

Eu não respondi. Apenas peguei meu xale e caminhei em direção à porta. 

No andar de baixo, o som de um piano de cauda tentava disfarçar o cheiro de mofo e desespero que emanava das paredes da mansão. Meu pai, Albert Bellini, já estava lá, sustentando a mentira de que os hematomas e o andar curvado eram fruto de uma "queda boba na biblioteca". Ele segurava uma taça de cristal com a mão trêmula, enquanto sorria para investidores que, no fundo, sabiam que estavam cheirando o cadáver da nossa empresa.

Quando cheguei ao topo da escadaria de mármore, as luzes dos lustres de cristal pareciam facas prontas para me retalhar. O burburinho dos convidados cessou. Senti centenas de olhos sobre mim — curiosos, invejosos, predatórios. Eu era a "filha protegida" que ninguém via em fotos, a relíquia que finalmente seria exibida.

As portas duplas se abriram com um estrondo controlado.

O ar pareceu ser sugado para fora do salão. O homem que atravessou o portal não era o herdeiro engomado e sem sal que eu imaginei. Ele usava um terno Tom Ford preto, feito sob medida para ombros largos e uma postura que exigia submissão imediata. Ele exalava uma aura de poder que transformava todos os outros homens na sala em meros figurantes.

Meu coração não apenas parou; ele cometeu suicídio no meu peito.

Cabelo escuro, desalinhado com uma elegância letal. Mandíbula marcada. E aqueles olhos... aqueles olhos escuros que, horas atrás, tinham percorrido cada centímetro do meu corpo sob a luz da lua.

Era o Will. O meu Will do bar.

As pernas me faltaram por um segundo. 

William Weiss não era o monstro distante que eu deveria odiar por obrigação. Ele era o homem a quem eu tinha entregado minha maior moeda de troca por puro desejo.

— Lara — meu pai anunciou, a voz orgulhosa ocultando uma pontada de dor física. — Este é William Weiss. William, esta é minha única filha, Lara Bellini.

Ele caminhou em minha direção com a calma de um predador que já sabe que a presa não tem para onde correr. Cada passo dele no mármore ecoava nos meus ouvidos como o som de uma contagem regressiva. Quando ele parou à minha frente, o perfume de sândalo e chuva — o mesmo que ainda estava impregnado na minha mente — me atingiu como uma bofetada.

William estendeu a mão. Seus olhos percorreram meu rosto com uma lentidão torturante, detendo-se por um milissegundo extra no ponto exato onde a maquiagem tentava esconder o tapa da minha mãe. Um brilho de escárnio passou por suas pupilas.

— É um prazer imenso finalmente conhecê-la, Lara — a voz dele, aquela mesma voz rouca que sussurrou promessas profanas no meu ouvido na madrugada, agora era uma lâmina de gelo. — Embora eu sinta que já conheço muito sobre você. Coisas que... bem, não estão escritas nos relatórios.

Minha mão tremeu dentro da dele. Ele apertou meus dedos com uma força possessiva, forçando-me a sustentar o olhar. Eu queria gritar, queria fugir, mas estava congelada pela audácia dele.

— William tem sido muito generoso com os termos do contrato — Henrik Weiss comentou, aproximando-se com a frieza de um imperador. — Especialmente com a exigência da integridade da senhorita Bellini. Esperamos que a pureza da sua linhagem reflita na união das nossas empresas.

Senti o suor frio descer pelas minhas costas. Eu ia dizer algo, qualquer coisa para manter o teatro, mas William se inclinou, aproximando o rosto do meu sob o pretexto de um beijo formal na bochecha.

— A Luna tinha um gosto muito melhor que o seu, Lara — ele sussurrou contra a minha orelha, o hálito quente me fazendo arrepiar de puro terror. — O corretivo é caro, mas não esconde o cheiro de mentira. E nós dois sabemos que você não tem nada de intocada.

Ele se afastou, exibindo um sorriso impecável para os fotógrafos que disparavam flashes ao nosso redor. Eu estava sufocando.

— Sr. Bellini — William disse, voltando-se para o meu pai com uma polidez que beirava o sadismo. — Se não se importa, gostaria de ter um momento a sós com minha noiva antes do banquete. Temos alguns detalhes... íntimos sobre o nosso futuro contrato que precisam ser discutidos agora. A sós.

Ele não esperou por uma permissão. Ele segurou meu braço com firmeza e me arrastou para longe dos olhares, em direção à biblioteca. O mesmo lugar onde o sangue do meu pai ainda manchava o ar.

Assim que a porta se fechou, William me soltou e caminhou até o bar particular do meu pai, servindo-se de um uísque com a naturalidade de quem já era o dono da casa.

— Então, Lara... ou prefere Luna? — Ele se virou, os olhos brilhando com uma fúria contida. — Você realmente achou que poderia me usar para estragar o meu próprio contrato e sair ilesa?

— Eu não sabia que era você! — explodi, as lágrimas de raiva finalmente vencendo. — Eu queria ser livre! Eu queria tirar de você a única coisa que você comprou!

— Pois você não tirou nada — ele deu um passo à frente, me prensando contra a estante de livros antigos. — Você apenas me deu a prova de que sua família é uma fraude. E agora, eu não quero mais uma esposa de fachada. Eu quero uma escrava contratual. Você assinou o papel, Lara. Mas o preço que eu vou cobrar pela sua mentira... esse não tem valor em dinheiro.

Eu estava encurralada entre a ruína do meu pai e a obsessão de um homem que sabia exatamente qual era o gosto da minha rendição. O jogo de gato e rato estava apenas começando, e William Weiss não pretendia me deixar vencer.

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