Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV Lara Bellini
O silêncio da mansão Bellini era um aviso que eu, em minha euforia pós-rebelde, decidi ignorar. Eu ainda sentia o rastro do toque de Will em minha pele, um segredo quente que eu planejava usar como uma granada no jantar de noivado. Mas a granada explodiu antes mesmo de eu tirar os saltos
O rastro de sangue no tapete persa do corredor me levou direto à biblioteca. Quando abri a porta, o cenário não era de uma festa de elite, mas de um filme de terror.
— Pai! — O grito morreu na minha garganta.
Albert Bellini estava curvado sobre a poltrona de couro, o rosto manchado de um vermelho escuro e viscoso. Sua respiração era um sibilo doloroso. Perto dele, minha mãe, Elisabeth, segurava um lenço com as mãos trêmulas, mas seus olhos não tinham lágrimas; tinham fúria.
— O que houve? Quem fez isso? — Me aproximei, mas Elisabeth me barrou com um braço rígido.
— Os cobradores de Adriano Volkov. Eles não mandam notificações judiciais, Lara. Eles mandam lembretes físicos — a voz dela era gélida. — E o seu pai não vai aguentar um segundo lembrete.
Olhei para o estado deplorável do homem que eu julgava ser invencível. Ele chorava baixinho, um som que quebrava meu coração e minha paciência ao mesmo tempo.
— Isso é loucura! Temos que cancelar esse jantar — falei, o pânico subindo. — Olhe para ele, mãe! Ele não tem condições de descer, muito menos de fingir um brinde. Vamos ligar para os Weiss, dizer que houve um imprevisto.
— Nós não vamos cancelar nada! — Albert tossiu, as palavras saindo com dificuldade. — Se o acordo com William Weiss não for selado hoje, eu estarei morto amanhã. E você estará nas ruas.
— Eu prefiro as ruas a ser vendida! — Retruquei, sentindo o peso da minha criação mimada colidir com a realidade brutal. — E quer saber? O plano de vocês já era. A "cláusula da pureza"? Eu a rasguei ontem à noite. Eu perdi a virgindade com um estranho em um bar.
O silêncio que se seguiu foi tão denso que o estalar da lareira pareceu um tiro.
ESTALO.
O impacto do tapa da minha mãe virou meu rosto para o lado. Minha bochecha ardeu instantaneamente, mas foi o olhar de desprezo dela que realmente cortou a pele.
— Sua egoísta... — Elisabeth sibilou, a voz baixa e letal. — Olhe para o seu pai! Olhe para o homem que te deu tudo o que você veste, o chão onde você pisa! Você acha que a sua "liberdade" vale a vida dele?
— Mãe... — tentei falar, mas ela segurou meu rosto com as unhas cravadas na minha mandíbula.
— Você vai tomar um banho, vai cobrir essa marca no rosto com toda a maquiagem que tiver e vai descer aquela escada — ela ordenou, os olhos brilhando com um desespero maníaco. — Você vai sorrir para William Weiss. Você vai ser a noiva perfeita. E se ele perguntar? Você é virgem. Você vai mentir até que o sangue dele se misture ao seu, se for preciso. Você vai fingir, Lara, porque se não fingir... você vai enterrar o seu pai com esse vestido champagne.
Eu olhei para Albert, quebrado na poltrona, e para Elisabeth, transformada em uma estranha por causa da ganância e do medo. O sarcasmo que eu cultivava como armadura se dissolveu. Eu era a "joia protegida" que acabara de descobrir que o preço da proteção era a própria alma.
— Tudo bem — sussurrei, sentindo o gosto de sangue do meu próprio lábio. — Eu vou. Mas não esperem que eu o ame.
Subi as escadas sentindo cada degrau como uma sentença de morte. Eu ia casar com William Weiss. Eu ia mentir na cara de um bilionário.







