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ADEUS, NOIVO! Já Não Sou a Virgem que Você Exigia
ADEUS, NOIVO! Já Não Sou a Virgem que Você Exigia
Por: Maerley Oliveira
Capítulo 1 — O Prazo de Validade da Minha Dignidade

POV Lara Bellini

Vinte e dois anos de educação impecável, aulas de etiqueta francesa e um diploma de Marketing que agora servia apenas como um descanso de copo caro sobre a mesa de carvalho maciço do escritório do meu pai. Tudo isso para terminar assim: sendo anunciada como um pedaço de picanha tipo exportação em um leilão de elite para magnatas entediados.

— Assine logo, Lara. Deixe de ser infantil e encare a realidade! — A voz de Albert Bellini cortou o ar como um chicote.

Ele não estava apenas irritado; ele exalava o cheiro metálico do desespero. O homem que eu sempre vi como um titã da indústria agora tinha olheiras profundas e as mãos trêmulas enquanto tentava acender um charuto que custava o preço do aluguel de uma pessoa normal. Albert estava perdendo o controle de tudo — da empresa, das finanças e, agora, da própria filha.

— O contrato está na mesa. Assine e as dívidas desaparecem. Nossa reputação permanece — minha mãe, Elisabeth Bellini, completou. Ela estava encostada na lareira, a voz embargada por um drama digno de novela mexicana enquanto retocava o batom Chanel com uma precisão cirúrgica. — Você sabe que não temos escolha.

— Reputação? — Soltei uma risada seca, o tipo de som que você faz quando a alternativa é incendiar a cortina da sala. — Vocês estão me vendendo para um estranho porque não conseguiram gerir o próprio império e têm a audácia de falar em reputação?

Eu olhei para o papel timbrado da Weiss Corporation. A cláusula 4.2 brilhava sob a luz do lustre de cristal, zombando da minha cara: “A noiva deverá manter sua integridade e pureza até a consumação das núpcias”.

Integridade. Pureza. Eles queriam dizer virgem. Em pleno século XXI, Henrik Weiss exigia uma garantia de fábrica para seu herdeiro, como se eu fosse um carro quilômetro zero pronto para ser retirado da concessionária.

— Isso é ridículo. — Joguei a caneta de ouro sobre a mesa. — Eles sabem que eu sou uma mulher adulta, não um pote de iogurte lacrado, certo? O que o William Weiss espera? Que eu tenha passado as últimas duas décadas em um convento?

— Não seja vulgar! — Albert, meu pai, bateu na mesa, fazendo os cristais tilintarem. — Você sabe muito bem por que ainda é... "integrada". Nós te protegemos. Afastamos cada aproveitador que tentou chegar perto de você. Seu nome é limpo, Lara. Sua imagem é imaculada. Os Weiss não aceitariam menos que isso para o sucessor deles.

Eu senti um gosto amargo na boca. A proteção deles nunca foi por amor; foi manutenção de estoque. Eu fui mantida em uma redoma de vidro, cercada por motoristas e seguranças, não para minha segurança, mas para que meu valor de mercado não caísse. Eu era o último ativo valioso dos Bellini.

— William Weiss é o herdeiro de metade do setor imobiliário do país, querida — Elisabeth, minha mãe, tentou suavizar, aproximando-se com aquele cheiro insuportável de perfume importado. — Ele é... discreto. Misterioso. Pense na segurança que ele pode te dar.

— "Misterioso" é código para feio, impotente ou psicopata? — Me levantei, pegando minha bolsa Prada. — Qual é o problema dele? Ele tem três cabeças ou apenas um fetiche medieval por virgens?

— Lara, basta! — Meu pai gritou, o rosto ficando vermelho. — Se você não assinar esse acordo até amanhã, perderemos tudo. A mansão, os carros, o seu estilo de vida de princesa mimada. Você quer acordar amanhã e ter que procurar um emprego de verdade? Quer morar em um cubículo e andar de metrô?

— Talvez seja melhor do que ser o troféu de um estranho — rebati, embora o pensamento de perder meu conforto fizesse meu estômago dar um nó. Eu era mimada, sim. Fui criada para o luxo, para o melhor que o dinheiro pode comprar. Mas ser um objeto de troca era um preço alto demais, até para mim.

— Onde você vai? — Minha mãe perguntou, os olhos arregalados. — Temos o jantar de anúncio com Henrik e William amanhã!

— Vou garantir que o contrato seja anulado por vício de objeto, mamãe. — Pisquei para ela, sentindo o gosto da adrenalina substituir o do café amargo. — Se o William Weiss quer uma relíquia intocada, ele vai acabar com uma devolução por "uso prévio".

***

Duas horas depois, eu estava em um bar no centro. Nada de lounges VIP onde as pessoas bebem espumante morno e falam de juros. Eu queria um lugar com cheiro de pecado, fumaça e música alta o suficiente para eu não ouvir minha própria consciência me chamando de louca. Liguei para Isabella, minha única amiga que não me julgaria por isso, mas ela não atendeu. Talvez fosse melhor assim. Esse era um crime que eu precisava cometer sozinha.

Pedi um shot de tequila. Depois outro. Eu me sentia uma estranha naquela selva de luzes neon com meu vestido de seda e saltos agulha, mas o álcool estava começando a anestesiar o medo. Eu precisava de coragem para retomar a posse do meu próprio corpo antes que William Weiss colocasse as mãos nele.

— Você parece alguém que está planejando um assassinato. Ou um assalto a banco. — Uma voz grave, como um violoncelo em uma nota baixa, ecoou ao meu lado.

Virei o rosto e o bar pareceu desaparecer. O homem sentado no banco vizinho era o tipo de perigo que eu só conhecia por livros proibidos. Cabelo escuro, desalinhado na medida certa, e olhos tão intensos que pareciam ler minha alma.

— Pior — respondi, tentando manter o tom sarcástico enquanto meu coração dava piruetas indesejadas. — Estou planejando uma liquidação de estoque. Peça única. Última chance de aquisição antes de sair de linha.

Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso de canto de boca surgindo. Era um sorriso predatório. O tipo de sorriso que diz: eu topo o desafio.

— Eu sempre gostei de liquidações — ele disse, inclinando-se para mais perto. O cheiro de sândalo me deixou tonta. — Sou o Will.

— Sou a Luna — menti, o nome saindo da minha boca como um escudo. — E, Will? Eu não quero saber seu sobrenome ou sua profissão. Eu só quero que você me ajude a estragar os planos de um homem muito rico e muito arcaico.

— Um objetivo nobre — ele murmurou. A mão dele roçou meu braço, enviando uma descarga elétrica pelo meu corpo. — Acho que posso ser muito útil nisso, Luna.

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