Capítulo Quarenta e Sete

O dia estava cinza, como se o mundo tivesse decidido combinar com o que eu sentia por dentro. Matheus tinha saído para uma consulta com a terapeuta, e pela primeira vez em muito tempo, eu estava sozinha.

No sofá, com as mãos descansando sobre a barriga que começava a tomar forma, eu encarava o teto sem realmente ver nada. A maternidade…

A palavra pesava.

Não era o bebê. Nunca foi o bebê.

Era o medo de ser como minha mãe, que se anulou por anos. Ou como eu mesma fui, com Gabriel — cega, pequena,
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