— Mamãe. Olha o que eu encontrei.
— disse Bela, com a voz carregada de surpresa e curiosidade, os olhos arregalados como se tivesse descoberto um tesouro escondido.
Lorena virou-se lentamente, como se pressentisse que algo havia sido desencadeado. Seus movimentos eram quase mecânicos, como se o tempo tivesse desacelerado ao redor dela. Ao ver o pequeno frasco nas mãos da criança — um vidro cristalino, com entalhes delicados e uma tampa de metal de cor escura — um intenso arrepio percorreu sua espinha. Seu coração congelou como neve recém-caída, sua respiração tornou-se rápida e irregular, como se o ar tivesse se tornado rarefeito.
Era como se Bela não tivesse apenas puxado um objeto, mas desenterrado uma memória, uma verdade, uma sombra esquecida de algo que mudaria tudo. O ambiente pareceu mudar de densidade, e Agatha, mesmo sem olhar, sentiu o peso invisível que agora pairava sobre elas.
Lorena avançou com rapidez, os passos firmes e impacientes. Com um gesto brusco e sem qualquer