O silêncio do meu quarto nunca pareceu tão ensurdecedor. Poucos minutos antes, ele exalava o perfume cítrico de Salvatore e o cheiro metálico da paixão bruta que havíamos compartilhado. Agora, restava apenas o frio. Eu me olhei no espelho enquanto tentava, com as mãos trêmulas, abotoar o vestido. Meus lábios estavam inchados, um lembrete físico de que, por alguns instantes, Salvatore não foi o monstro que meu pai me ensinou a temer, nem o mestre frio que me reivindicava por direito.
Ele havia sido... doce. E essa doçura era o que mais me assustava.
Quando ele me penetrou com aquela fúria punitiva, eu aceitei. Aceitei porque sabia que tinha ultrapassado um limite ao falar com Sofia. Mas então, o ritmo mudou. Quando seus olhos encontraram os meus, vi uma rachadura em sua armadura. Ele me tocou como se eu fosse algo precioso, não apenas um objeto de contrato. Por um momento, senti que nossas almas haviam se tocado naquela lentidão profunda.
— Dez minutos — sua voz ainda ecoava na minh