Os homens ao meu redor brindaram, os sorrisos satisfeitos mascarando a crueldade do que acabara de acontecer. Eu, no entanto, permanecia imóvel. O sabor do triunfo dele tinha o gosto amargo de cinzas na minha boca.
Virei as costas para a celebração e caminhei em direção à janela, observando as luzes da cidade lá fora. Eu havia "vencido" o teste, mas, naquele momento, sentia que tinha perdido algo que jamais conseguiria recuperar. A lealdade que eles tanto prezavam agora parecia uma gaiola de ouro, e a bailarina, que outrora fora apenas uma distração, tornou-se o símbolo de uma liberdade que meu pai acabara de assassinar na minha frente.
— O preço da honra é alto, não é, meu filho? a voz de um dos conselheiros, o velho Renzo, soou perto do meu ouvido.
Virei-me para encará-lo, os punhos cerrados.
— O preço é alto demais para quem não tem alma, renzo.
Saí da sala sem olhar para trás, deixando o som do champanhe e as risadas para trás. Eu precisava de ar. Precisava decidir se con