O amanhecer na Sicília traz uma luz dourada que parece ignorar a tensão que asfixia esta villa. Batem à minha porta logo após os primeiros raios tocarem o mármore. Ainda estou diante do espelho, ajustando a armadura de seda do dia, quando permito a entrada.
A porta se abre e Lorenzo entra. Ele não invade o meu espaço; permanece no batente, uma silhueta imponente contra o corredor iluminado. Ele mantém aquela linha invisível entre nós, mas seus olhos — escuros e analíticos — percorrem cada detalh