Capítulo 6

Continuação.

E então, do nada, ele segurou minha mão com força e me puxou. Saímos apressados, atravessando o salão, entrando no elevador antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo.

— O que foi? — tentei perguntar, mas ele não respondeu.

O elevador abriu e saímos quase correndo por um corredor longo, repleto de portas idênticas. Meus passos tropeçavam nos dele. Meu coração batia rápido demais, como se algo estivesse errado muito antes de eu conseguir entender o quê.

De repente, ele me puxou para um canto. Nossos corpos ficaram colados, o ar preso entre nós. Ele virou o rosto, atento, observando o outro lado do corredor.

Tentei acompanhar seu olhar.

Foi quando vi.

Três silhuetas avançavam na penumbra. Homens. Armados.

O desespero me atravessou inteira.

Ele levou um dedo aos meus lábios antes que qualquer som escapasse. O toque foi firme, uma ordem muda. Minha respiração falhou na hora — e não foi só pelo medo. Meu corpo reagiu de um jeito estranho, sensível demais àquele simples contato.

Seu corpo se colocou levemente à frente do meu, como um escudo. Eu sentia o calor dele, o peito subindo e descendo controlado demais para alguém naquela situação. Ele não estava nervoso. Estava alerta. Preparado.

Os passos se aproximavam. Lentos. Calculados.

O leve roçar de metal denunciava as armas. Meu estômago se contraiu. As paredes pareciam se fechar.

Ele tentou a porta atrás de nós. Trancada.

Praguejou baixo, numa língua que eu não reconhecia.

Os homens pararam a poucos metros. Uma voz grave murmurou algo. Meu corpo começou a tremer sem que eu conseguisse controlar.

Ele percebeu.

Sem me olhar, segurou minha cintura e me puxou ainda mais para perto, pressionando minhas costas contra a parede. Seu rosto se inclinou até meu ouvido.

— Não faz barulho — sussurrou.

A voz baixa, firme… perigosa.

Meu coração batia tão alto que eu tinha certeza de que eles podiam ouvir.

E então tudo explodiu.

O primeiro disparo foi quase silencioso. Um sopro seco. Um corpo caiu. O segundo mal teve tempo de reagir. O terceiro atirou às cegas, o barulho ecoando pelo corredor.

Ele me jogou atrás de uma coluna.

— Fica abaixada.

O cheiro de pólvora, o gosto metálico no ar, minhas mãos tremendo. Mais um disparo abafado.

Depois… silêncio.

Pesado. Aterrador.

Um homem surgiu do nada e o agarrou por trás. Sem pensar, tirei o salto e bati com força na cabeça dele. O corpo caiu, sangrando.

— Meu Deus… — sussurrei, horrorizada.

Ele riu baixo.

Me empurrou para dentro de um quarto.

— Muito bem.

Colocou a arma sobre a mesa, serviu whisky, virou o copo de uma vez. Afrouxou a gravata como se tivesse acabado de sair de uma reunião comum.

— Como você consegue estar calmo? — perguntei, sentindo o choque finalmente me alcançar.

— Isso vai ser resolvido — respondeu. — Quando sairmos, não haverá nada lá fora.

Me estendeu o copo.

— Beba comigo, Rosa Negra.

Sentei. Minhas mãos estavam frias, mas meu corpo… quente demais. O álcool desceu queimando, e quase imediatamente algo mudou.

Não era só tontura.

Era um calor lento, profundo, se espalhando por dentro, deixando minha pele sensível, minha respiração errada. Como se meu corpo estivesse sendo acordado à força.

Ele também suava. Passava a mão pelo rosto. O olhar preso em mim tempo demais.

Não era permitido perguntar sobre clientes. Regra de Estela.

Mas havia algo muito errado.

Levantei rápido.

— Eu não estou me sentindo bem… preciso ir ao toalete.

No espelho, quase não me reconheci. Pupilas dilatadas. Respiração irregular. A pele quente, a cabeça leve demais.

Não era só álcool.

Abri a porta.

Ele estava ali.

Fui puxada contra a parede. O beijo veio forte — urgente — e ainda assim carregado de tensão, como se ele estivesse lutando contra si mesmo. Meu corpo respondeu imediatamente, traindo tudo o que eu tentava ser.

Era meu primeiro beijo.

E meu corpo reagia como se soubesse exatamente o que fazer.

Ele se afastou um pouco, ofegante.

— Isso não é normal — disse. — Aquela bebida…

— Eu sei — respondi, tentando recuperar o ar. — A gente… a gente devia parar.

O zíper do meu vestido desceu até a metade… e parou.

Ele parou.

De verdade.

Deu um passo atrás, respirando fundo.

— É melhor parar agora — disse. — Antes que…

— Eu nunca… — comecei, a voz falhando.

O silêncio entre nós era insuportável. Meu corpo ardia. Minha mente gritava.

Ele assentiu.

— Então não.

Virou o rosto, como se estivesse se obrigando a ir embora.

Foi aí que eu perdi o controle.

Antes que pudesse pensar, agarrei a camisa dele e o puxei para mim. O beijo veio desesperado, faminto, como se algo dentro de mim tivesse finalmente se rompido.

— Não… — murmurei contra a boca dele, sem soltá-lo. — Eu não consigo…

Ele resistiu por um segundo.

Só um.

Depois, as mãos dele me seguraram com força, como se também tivesse chegado ao limite.

— Isso não é você falando — disse, a voz rouca. — É a droga naquela bebida.

— Eu sei — respondi, o corpo inteiro em chamas. — Mas eu não aguento mais lutar.

Quando fomos para a cama, não foi delicado. Foi urgente. Necessário. Como se o mundo estivesse prestes a acabar.

A luz se apagou. As máscaras caíram. Eu não vi seu rosto — e talvez fosse melhor assim.

— Eu nunca… — tentei dizer outra vez.

Ele parou, a testa encostada na minha.

— Diz pra eu parar.

Eu não disse.

Meu corpo falou por mim.

E quando finalmente cedi, não foi porque quis.

Foi porque já não havia mais controle possível.

A bebida queimava em minhas veias. O desejo tomava tudo. A razão tinha sido deixada para trás.

E naquela noite, eu não escolhi.

Eu me entreguei.

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