Capítulo 5

Continuação.

— O quê? — perguntei, confusa.

— Qualquer um que olhe pra você vai perceber que está passando por necessidades — disse, enquanto começava a retirar a maquiagem.

— Está tão na cara assim?

— Está. Mas, Lis… alguém já te disse que você é linda?

Ela se sentou ao meu lado.

— Por que isso agora? Para de coisa. Não estou com cabeça para brincadeiras — respondi, exausta.

— Não estou brincando. Você quer se formar. Quer pagar sua faculdade. E eu tenho uma proposta que pode te ajudar.

Meu coração disparou.

— Sério? Qual?

— Não sei se você vai querer.

— Não faz rodeio, Estela.

Ela respirou fundo.

— Acompanhante de luxo.

— O quê? Está falando sério?

— Muito. Eles pagam muito bem, Lis. E você é perfeita para isso. Sua beleza é surreal. Claro que com alguns ajustes… mas seu corpo, seu rosto… você ganharia muito dinheiro.

— Eu não quero esse tipo de trabalho — respondi rápido. — Até porque eu nunca…

Travei.

Os olhos dela se arregalaram e brilharam.

— Mentira… meu Deus. Uma mina de ouro na minha frente.

— Para com isso! Eu não vou aceitar.

— Pensa bem. Essas cartas não vão chegar mais. Basta uma vez. Você não é obrigada a entregar o que é mais precioso. É só garantir o dinheiro. Uma noite… e seus problemas acabam.

O quarto ficou em silêncio.

Uma noite, apenas uma noite...

Eu aceitei.

Não com palavras, mas com atitudes.

Estela não comemorou. Apenas assentiu.

— Então vamos fazer direito.

Durante um mês inteiro, ela me treinou. Postura, olhar, silêncio, comportamento. Aprendi que naquele mundo não se fala demais, não se demonstra fraqueza, não se entrega tudo.

— Você não vende o corpo — ela dizia. — Vende a experiência.

Certa noite, ela colocou uma caixa preta sobre a mesa.

Dentro, uma máscara.

— Todos usam. É pra preservar a identidade. Mistério é essencial.

— Vou precisar mesmo disso?

— Principalmente você. Seu cliente é diferente.

Foi quando ela me contou.

— Ele só anda com acompanhantes de alto nível. Foi difícil conseguir ele pra você. Difícil mesmo.

— Por quê?

— Porque ele é exigente demais. E extremamente rico. Do tipo que não aceita erros.

Meu estômago revirou.

— Você vai ter que dar o seu melhor — ela concluiu. — Ele paga muito. Mas espera perfeição.

Na noite marcada, com a máscara cobrindo parte do meu rosto, eu mal me reconhecia no espelho.

Não era mais só a Lis desesperada.

Era alguém moldada para sobreviver.

Quando cheguei à suíte do hotel, meu coração quase saiu pela boca.

Ele estava de costas, perto da janela. Terno escuro. Postura firme.

Não perguntei nomes.

Não disse nada.

Assim que entrei naquele evento e o vi, senti todos os olhares se voltarem para mim. Era como se eu estivesse nua no meio do salão, mesmo usando um vestido impecável e a máscara que escondia parte do meu rosto.

Do outro lado, vi Estela se afastar ao lado de outro homem, rindo baixo, segura. Sozinha outra vez.

Meu estômago se revirou. Eu estava nervosa demais, mas precisava daquilo. Precisava mais do que nunca.

— Rosa Negra? — ele perguntou, estendendo a mão em minha direção.

Por um segundo, quase me esqueci de respirar.

O pseudônimo.

Estela havia me dado aquele nome.

— Sim — respondi, erguendo o olhar para encontrar o dele, tentando parecer confiante… mesmo não sendo.

Os olhos verdes me analisaram com atenção antes que ele virasse o corpo, sinalizando para que eu o acompanhasse.

E eu fui.

Por onde passávamos, os olhares nos seguiam. Curiosos. Avaliadores. Incomodados. Não sabia se era admiração ou julgamento — talvez os dois.

Ele se afastava vez ou outra para conversar com alguns homens. Eu ficava onde estava, silenciosa, elegante, exatamente como Estela havia me ensinado. Postura ereta. Olhar neutro. Nenhuma emoção visível.

— Com licença, aceitam uma taça de vinho?

O garçom estendeu a bandeja. Peguei duas taças e, assim que ele se afastou, entreguei uma a ele, enquanto ainda conversava com outro homem. Falavam em uma língua que eu não entendia.

Bebi o meu vinho em um único gole.

Mas que vinho horrível é esse?

Olhei de canto quando vi que ele também havia esvaziado a taça inteira. Permaneci ao seu lado. Ele não me olhava — nem por um segundo. Eu me sentia como um chaveiro esquecido, levado de um lado para o outro apenas por obrigação.

Ainda assim, não deixava de chamar atenção. Todos aqueles homens que conversavam com ele faziam questão de beijar minha mão, como se eu fosse um acessório bonito… e silencioso.

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