Saulo Lucchese Narrando
Acordei como se tivesse sido arrancado de dentro dela.
O peito subia e descia rápido demais, o corpo ainda quente, como se o sonho tivesse sido real — ou pior: como se nunca tivesse acabado. Não vi o rosto. Nunca via. Mas sabia exatamente quem era.
Ela.
No sonho, eu estava atrás dela. O som abafado da música ainda ecoava na minha cabeça, misturado ao gosto do vinho. Eu lembrava disso. Lembrava do jeito como ela respirava, da tensão contida no corpo, como se estivesse ali por escolha… e por medo ao mesmo tempo.
O vestido começou a cair devagar, escorregando pelos ombros, revelando a pele nua das costas. Branca. Lisa. O cabelo castanho caía pesado, marcante — eu tinha certeza da cor. Sempre tive.
Ela usava a máscara. Da boca para cima. Mesmo assim, eu sabia que era ela. Sempre sei.
Acordei no exato momento em que o vestido tocava o chão.
Sentei na cama, passei a mão pelo rosto e respirei fundo, tentando afastar aquela imagem da cabeça. Em vão. Meu