Continuação.
Por que essa mulher não sai da minha cabeça?
Sentado no escritório, bebendo uísque, encarei a cidade através da enorme janela do arranha-céu. As luzes lá embaixo pareciam distantes, irrelevantes. Fechei os olhos e, como uma maldição, a imagem dela voltou.
A raiva veio primeiro. Logo depois, algo pior.
Uma saudade que eu não conhecia — e que me enfurecia ainda mais.
Arremessei o copo no chão, que se espatifou em pedaços.
— Chefe?!
— O que você quer? — perguntei, sem virar o rosto.
— Aqui estão as informações da filha dos Mendonça — Carlos disse, deixando uma pasta sobre a mesa antes de sair apressado.
Peguei a pasta e comecei a analisar cada página.
— Essa garota é uma delinquente? — murmurei. — O quão suja ela é…
Fechei a pasta com força.
— Não entendo por que meu avô quis que eu me casasse com essa mulher.
Quanto mais lia, mais a raiva crescia. Dar meu sobrenome a alguém assim me revoltava. Uma família mesquinha, sem valor algum. Se pudesse, eli