Continuação:
Retornei para casa sem saber como cheguei. Minhas pernas pareciam não me obedecer, e o coração ainda batia descompassado. Quando Dona Luiza abriu a porta, não consegui dizer nada. Apenas me agarrei a ela com força, como uma criança que encontra a mãe depois de se perder do mundo.
— Dona Luiza… — minha voz saiu quebrada. — O que eu vou fazer?
Ela se assustou com meu estado, fechou a porta rapidamente e me envolveu num abraço firme, quente, seguro.
— O que aconteceu, minha filha? — perguntou aflita, segurando meu rosto para me olhar.
Tentei falar, mas o choro veio primeiro. Meu corpo tremia inteiro.
— Eu… eu estou grávida… — confessei entre soluços. — E eu quase fiz algo terrível…
Os olhos dela se arregalaram, cheios de choque e preocupação. Foi então que tudo desabou de vez. Comecei a contar desde o começo. O hotel. O vídeo. O abandono. O hospital. A clínica. Cada palavra parecia rasgar minha garganta.
Dona Luiza me ouviu em silêncio, a mão apertando a minha,