O carro atravessava a madrugada como um suspiro preso entre o peito e o desespero. O céu parecia pesar sobre os morros, escuro, silencioso demais, como se a própria Rocinha estivesse prendendo a respiração.
Mariana mantinha as mãos pressionando o ferimento do Rei, sentada no banco de trás com ele desmaiado em seu colo. O sangue escorria entre os dedos, quente e implacável. Ela já havia atendido muitos homens baleados. Já tinha visto corpos despedaçados pela violência da favela. Mas nunca fora