Narrado por Enzo
A Rocinha nunca dormia completamente. Às vezes, era só um sussurro de vozes entre vielas, um rádio distante tocando um samba abafado, ou o som vapores nas bocas lá no fundo, lá onde os olhos não alcançavam. Mas naquela noite em que tudo parecia repousar, eu não conseguia. Porque o mundo tinha mudado. Eu tinha mudado.
Maya dormia de lado, os cabelos soltos no travesseiro, a respiração calma e constante. A barriga ainda era discreta, mas ali dentro já batia um coração — o coraçã