CAPÍTULO 96 — A SOMBRA QUE SE MOVE
Aquela noite parecia mais silenciosa que o normal.
Silenciosa demais.
Helena estava sentada no sofá, as mãos apoiadas na testa, tentando afastar a tontura que insistia em voltar desde o dia anterior. Era como ondas leves, que vinham e iam — o suficiente para incomodar, mas não para alarmar.
Ela respirou fundo.
Devia ser estresse.
Com tudo o que estava acontecendo, seu corpo estava apenas reagindo.
Arthur, do outro lado da sala, fingia revisar relatórios no notebook. Mas seus olhos não desgrudavam dela. Desde o pequeno “acidente” com o carro que quase a atingiu na calçada, ele não conseguia relaxar.
Não era coincidência.
Não podia ser.
E o pior: Helena não sabia.
Ele não queria assustá-la antes da hora.
— Você quer água? — Arthur perguntou, fechando o notebook e se aproximando.
— Eu só… fiquei um pouco tonta de novo — ela admitiu, como se fosse algo menor. — Aconteceu mais cedo no trabalho também.
Arthur franziu o cenho.