CAPÍTULO 56 — ENTRE OLHARES E VERDADES QUEIMADAS
O auditório ainda estava cheio quando o último painel foi encerrado. A equipe organizadora anunciava o coquetel de networking no saguão central, e as pessoas começavam a se deslocar animadas, comentando os projetos apresentados, trocando cartões, planejando parcerias.
Para Helena, no entanto, tudo parecia distante, como um borrão. Ela ainda sentia o coração acelerado depois de sua apresentação — não pelo nervosismo, mas pela sensação indescritível de vitória silenciosa. Ela não venceu ninguém além de si mesma. E era isso que a deixava tão inquieta.
Ela estava parada próxima a uma mesa lateral, segurando um copo de água com ambas as mãos, quando ouviu passos atrás dela.
— Helena.
Ela não precisava virar para saber quem era. O corpo dela reconhecia a voz de Arthur antes mesmo que a mente processasse. Ainda assim, virou devagar, preparando seu escudo emocional como sempre fazia nos últimos dias.
Ele estava ali — elegante, exausto, e