capítulo 51

CAPÍTULO 51 — AS PRIMEIRAS RACHADURAS

A sala ampla e impecavelmente organizada da filial não parecia sua.

Helena já estava ali há oito dias, mas a sensação era sempre a mesma:

como se tivesse sido encaixada num espaço que apertava, machucava e silenciosamente lembrava que não pertencia mais à vida que estava construindo.

Ela chegou cedo, como todos os dias.

As reuniões eram objetivas, o time era bom, a gestão local era respeitosa—mas nada disso preenchia o vazio que martelava no peito sempre que ela lembrava do motivo pelo qual estava ali.

Arthur a afastou.

E o pior era que ele achava que estava protegendo-a.

“É para o seu bem, Helena.”

As palavras ecoavam repetidamente em sua mente, cada vez mais distorcidas, mais duras, mais dolorosas.

Ela respirou fundo e abriu o laptop.

— Bom dia, doutora Helena — disse Júlia, a assistente da filial. — Tem café fresco se quiser.

Helena forçou um sorriso.

— Obrigada, Júlia. Eu já vou pegar.

Mas não foi.

Não tinha gosto para café. Nem para conversa.
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