CAPÍTULO 52 — AS PRIMEIRAS FISSURAS
A semana havia sido longa demais.
Helena ainda sentia o peso da transferência como um machucado recente, daqueles que doem ao menor toque. A filial era menor, mais silenciosa e completamente livre da tensão que existia na sede… mas também era fria, impessoal, e principalmente: distante de tudo que ela tinha construído — inclusive das pessoas que começavam a importar.
Ela chegava cedo, saía tarde, ocupava a mente com números, relatórios e revisões que ninguém havia pedido. Qualquer coisa para não pensar em Arthur.
Mas pensar nele era inevitável.
Pensava quando o telefone vibrava e não era ele.
Pensava quando via uma reunião importante sendo encaminhada para outra equipe.
Pensava quando abria o e-mail e via a ausência dele ali.
Era estranho como o silêncio de alguém podia doer mais do que qualquer briga.
Na mesa ao lado, Júlia — uma funcionária da filial, simpática e observadora demais — inclinou-se com um sorriso cuidadoso.
— Você está bem,