Capítulo 21 – Helena
A campainha tocou uma vez. Depois, outra.
Eu sabia quem era antes mesmo de olhar pelo olho mágico.
E, ainda assim, nenhuma emoção surgiu dentro de mim — nem ansiedade, nem raiva, nem expectativa.
Era quase estranho sentir… nada.
Theo estava adormecido no sofá, exausto depois do dia cheio na escola. Ajustei levemente a manta sobre ele, certificando-me de que estava bem coberto. Meu coração se manteve estável, meu corpo firme.
Caminhei até a porta com passos tranquilos, sem pressa.
Quando destravei a fechadura, fiz de forma automática, como quem executa uma tarefa cotidiana.
A porta se abriu devagar.
Arthur estava diante de mim, mais abatido do que eu lembrava. As olheiras discretas, a camisa desabotoada no colarinho, o peso no olhar — sinais que, antes, eu teria lido com cuidado. Agora, apenas registrei sem me afetar.
— Helena… — ele começou, como se estivesse tentando medir minha reação.
Eu mantive a expressão neutra, o queixo erguido, as sobr