Mundo de ficçãoIniciar sessãoSofia Kim sempre soube que seu casamento com Richard Brown era um acordo de poder. O que ela nunca imaginou era que seria traída pelo único homem em quem um dia confiou. Horas após o casamento, Sofia descobre que Richard tomou seu império, assumiu suas empresas e roubou sua liberdade. Agora, vigiada, obrigada a trabalhar como sua assistente na própria empresa, e forçada a abandonar tudo o que a fazia ser quem era, ela recebe apenas uma escolha: obedecer... ou colocar a vida de seus homens em risco. Mas Richard cometeu um erro: ele acreditou que poderia controlar Sofia Kim. Determinada a recuperar tudo o que perdeu, ela transforma cada humilhação em combustível para sua vingança. Só que, quanto mais desafia Richard, mais ele perde o controle. Por trás da frieza e das ordens existe um homem consumido por uma obsessão antiga. O que Sofia ainda não sabe é que a vingança de Richard nunca nasceu do ódio, mas de um ciúme que o consumiu por anos. Até onde Sofia está disposta a ir para recuperar seu império? E até onde Richard chegará para mantê-la ao seu lado?
Ler maisCapítulo 1
Sofia Kim Eu tinha acabado de vender minha alma perante Deus, a máfia e um altar cheio de flores brancas. Agora, horas depois, eu estava sentada em um avião comercial... porque o jato particular de Richard havia tido um “problema técnico” de última hora. Ajeitei o vestido de noiva que ainda vestia — um modelo longo, elegante e justo demais para a classe econômica, e cruzei as pernas, olhando pela janela enquanto deixava parte do meu império pra trás. Pelo reflexo do vidro, percebi os olhos de Richard parados na fenda do vestido. Um sorriso escapou antes que eu pudesse conter. — Gostou? — perguntei, sem desviar o olhar da janela. — Não. — Franzi a testa e finalmente olhei para ele. — Esse vestido chama atenção demais. Ignorei. Não vou mudar por causa dele. Quando o avião tocou o solo na Flórida, um sorriso surgiu no meu rosto. Finalmente veria a filial americana da Kim Enterprises trabalhando. Passei anos administrando aquela empresa à distância e meses preparando aquela equipe. Agora pisaria ali como presidente. Mas de repente... levantei imediatamente. Meus cinco soldados de elite, homens que me acompanhavam há anos, estavam sendo barrados pela imigração. — O que está acontecendo com os meus homens? Só vi os soldados do Richard andando tranquilamente enquanto os meus eram questionados. Richard se levantou, abotoando o paletó. — Vamos, Sofia. — Ele apenas me olhou de lado. Seus olhos escuros eram como duas lâminas bonitas, mas perigosos. — Burocracia americana. Meus advogados vão resolver. Você vem comigo. Parei no corredor. — Não. Eu vou resolver isso agora. Dei meia-volta, mas a mão de Richard fechou em meu pulso. — Solta. — Eu disse que vou resolver. Não me envergonhe no primeiro dia de casamento, Sofia. Você agora é uma Brown. Arranquei o braço de sua mão. — Eu continuo sendo uma Kim. Ele inclinou a cabeça até nossos rostos ficarem a centímetros um do outro, analisando-me como se aquela ameaça tivesse acabado de entretê-lo. — Eu gosto quando lembra quem é. — Estreitei os olhos e o empurrei. — Então lembre também. Ele era diferente do garoto que eu conheci na infância, muito diferente. O Richard de agora era mais frio, calculista, um homem que eu não conhecia, e meus soldados estavam esperando que eu fizesse algo. Não esperei resposta. Corri pela pista em direção aos meus homens. — Afastem-se deles! Vocês não têm ordem para detê-los! Richard apareceu logo atrás, segurando minha cintura antes que eu avançasse mais. — Prefeito, peço desculpas pelo transtorno. São apenas os seguranças da minha esposa. Houve um mal-entendido. Virei a cabeça para ele. — Prefeito? Richard sequer me olhou. — Se puder liberá-los em nome da nossa parceria, eu agradeço. O prefeito fez um sinal para os policiais. Em segundos, meus homens estavam livres. Talvez eu tivesse julgado Richard cedo demais. Olhei para frente... uma verdadeira frota de carros nos esperava. SUVs blindados, seguranças armados, tudo impecável. O império Brown era visível. Eu nunca tinha visto tanto poder concentrado em um só lugar fora da Rússia. Até o prefeito o ouviu. Mas quando meus homens foram liberados, eles não vieram até mim, foram direcionados para outros carros, longe do veículo principal. Entrei num carro ao lado de Richard. — Porque meus soldados não estão nos escoltando? Assim que a porta blindada fechou, percebi que tinha me enganado. A pequena esperança que eu alimentara naquele acordo morreu antes mesmo de nascer. Richard não era mais o homem calmo de segundos atrás. Ele virou o corpo com violência, agarrou o meu, e me empurrou contra o banco de couro. Em um segundo estava em cima de mim, o peso do corpo prendendo o meu contra o assento. — Você ousou me desrespeitar na frente dos meus homens? — rosnou, o rosto a centímetros do meu. Os olhos escuros estavam quase negros de raiva. — Na frente do prefeito? Eu empurrei o peito dele com força, o afastando. O vestido de noiva subiu pelas minhas coxas com o atrito. Ele olhou descaradamente, agora. — Tem sorte que estou desarmada! — respondi, empurrando-o novamente. — E porque diabos está reclamando se são meus soldados? Ele segurou meus pulsos acima da minha cabeça com uma mão só. O outro braço apoiado ao lado do meu rosto. Nossos corpos estavam colados. Eu sentia o calor dele, a respiração pesada, o coração batendo forte contra o meu. Reparei na barba impecavelmente aparada, no perfume discreto e no corte perfeito do cabelo escuro. Richard era o tipo de homem que parecia ter sido esculpido para transmitir poder. Era imponente, ocupava espaço calado. — Você ainda não entendeu, não é? Ele desceu o rosto pelo meu pescoço e me deixou desconcertada. Uma sensação predatória, mas não me fez querer afastar, mesmo sabendo o que ele faria. Richard me beijou. Por um instante, correspondi sem pensar. Meu corpo relaxou contra o dele, lembrando do beijo que me fizera aceitar aquele acordo. O calor de seus lábios, o perfume, a firmeza de suas mãos... tudo parecia igual. Então percebi que não havia carinho naquele beijo. Havia raiva. Tentei recuar, mas ele aprofundou o beijo, impedindo que eu me afastasse, e minha irritação explodiu. Mordi o lábio dele com força suficiente para fazê-lo me soltar. Richard recuou com um grunhido. Um filete de sangue escorria do canto da sua boca. Eu o empurrei com toda a força que consegui, tirando-o de cima de mim. — Você não vai me tocar com raiva! — rosnei, ofegante, o peito subindo e descendo rapidamente. Richard limpou o sangue do lábio com o polegar, olhando para a mancha vermelha em sua mão. Então sorriu lentamente frio. Terrivelmente perigoso. — Ah não? A partir de agora você vai fazer tudo o que eu disser. — deu uma pausa — Você sabe para onde estão indo seus homens agora? Meu estômago gelou. Arranquei o celular da bolsa e liguei para meu chefe de segurança. Nada, não havia sinal. Tentei de novo, e de novo. Richard enfiou a mão no bolso interno do paletó e tirou cinco celulares — todos os aparelhos dos meus homens. Ele os balançou na frente do meu rosto como troféus. — Está procurando por isso? — perguntou, sorrindo. — Ah, querida esposa… tem tantas coisas que você não sabe. O pânico, um sentimento que eu não experimentava há anos, subiu pela minha garganta. — O que você fez com eles, Richard? Se tocar em um fio de cabelo deles... — Você não está em posição de fazer ameaças, Sofia. Olhe para fora. Virei o rosto para o vidro fumê do SUV. O carro não estava pegando a rodovia que levava para a mansão dos Brown. Nós estávamos entrando no centro empresarial de Miami. O coração financeiro da cidade. O motorista reduziu a velocidade e entrou no estacionamento subterrâneo privativo, o logotipo reluzia na entrada. Era a sede da filial americana da minha empresa. Kim Enterprises. O carro parou na vaga da presidência. A vaga que pertencia a mim. — O que estamos fazendo aqui? — perguntei, tentando manter a voz firme, embora meu estômago estivesse revirando. — Viemos trabalhar — Richard respondeu com simplicidade, abrindo a porta do carro e saindo. Um dos seguranças dele abriu a minha porta. Richard estendeu a mão para mim, simulando o cavalheirismo de um recém-casado para as câmeras de segurança do local. Eu ignorei a mão dele, juntei a saia do meu vestido de noiva e saí do carro de cabeça erguida, mesmo descalça. Eu ainda era a chefe ali. Os funcionários daquele prédio respondiam a mim. Richard caminhou ao meu lado até o elevador privativo que levava direto para a cobertura. O silêncio dele era pior do que qualquer ameaça. Quando as portas do elevador abriram no andar da presidência, eu esperei ver minha secretária executiva. Em vez disso, a mesa da recepção estava vazia. Todo o andar parecia silencioso demais. Ele entrou na minha sala e sentou-se na minha cadeira de couro presidencial, apoiou os cotovelos na mesa, cruzando os dedos, olhando para mim como um rei olhando para uma súdita. Em cima da mesa, havia uma sacola de papel pardo e uma pasta preta de documentos. — Sente-se, Sofia — ele ordenou, apontando para a cadeira desconfortável de visitas do outro lado da mesa. — Essa sala é minha. Essa empresa é minha — sibilei, aproximando-me da mesa. — Saia da minha cadeira antes que eu... — Não é mais sua — ele interrompeu, a voz calma e fria como o gelo da Sibéria. Ele abriu a pasta preta e girou um documento na minha direção. — Seu pai confia cegamente em mim. Tanto que assinou o contrato de casamento de olhos fechados. E você... leu as cláusulas de fidelidade, mas não leu as letras miúdas sobre a fusão de bens. Meus olhos correram pelas primeiras linhas. Não... Voltei para o início, li outra vez, mas o ar começou a faltar, porque tinha minha assinatura e a do meu pai. O selo da família Kim. Não... Continuei lendo até que as letras começaram a embaralhar diante dos meus olhos. Richard Brown era agora o administrador universal de todas as minhas contas bancárias, ações, imóveis e empresas. Eu não tinha mais um centavo no meu nome. Legalmente, dependia dele para tudo. Richard fechou a pasta. — Você pertence a mim, Sofia. Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse encerrando uma negociação qualquer. — Diga sim ao seu novo chefe.Capítulo 12 Richard Brown Sofia passou por mim em direção à porta. Quando seu ombro roçou o meu, senti o perfume dela pela primeira vez desde o casamento. O mesmo perfume. A mesma droga de perfume que ela usava anos atrás. Por um segundo, a imagem daquele galpão voltou inteira à minha cabeça. O abraço. Um flash de câmera. Fotografias espalhadas sobre uma mesa. A sensação de ter sido feito de idiota. A humilhação. A vontade de matá-la. E, pior que isso... de beijá-la também. Meu corpo confundia ódio e desejo de um jeito que eu já não conseguia separar. Por um instante, as duas imagens se misturaram. O galpão. Este escritório. Sofia sozinha diante de um cadáver. A única coisa que passava pela minha cabeça era uma pergunta absurda: E se eu tivesse chegado cinco minutos depois? Não. Mas não era por ela, era pelo acordo. Uma guerra entre Brown e Kim começaria antes do amanhecer. Mas Sofia passou por mim em direção à porta. — Vamos sair daqui. — falou e fez um mov
Capítulo 11 Richard Brown Eu estava prestes a destruir a mesa quando o telefone tocou. — Senhor… encontramos o carro da senhora Brown. Meu sangue gelou. — Onde ela está? O soldado hesitou do outro lado, certamente surpreso com a pergunta. — Ainda não sabemos. Houve um homicídio no local. Meu estômago afundou por um instante. Entrei no carro sem dizer mais uma palavra. Quando chegamos ao prédio, meus homens já haviam isolado o perímetro. Desci do carro antes mesmo que ele parasse completamente. Subi as escadas três degraus por vez. Se algo acontecesse com ela teria problemas com a família Kim. Abri a porta do escritório e congelei. Sofia estava no meio da sala, com o corpo do cliente caído sobre a mesa e uma mensagem escrita com sangue na parede. Mas o que realmente me parou foi a Glock e a Taurus apontadas diretamente para a minha cabeça. Seus olhos estavam frios. Dedo no gatilho. Meus homens ergueram as armas imediatamente, dezenas de miras apontadas pa
Capítulo 10Sofia Kim Peguei uma Taurus 9 mm, dois carregadores e meu notebook blindado que estava num compartimento do cofre. Fechei com força.— Sofia!Saí da sala apressada. Em vez de pegar o elevador, desci pelas escadas de emergência, os saltos ecoando alto.No corredor do térreo, parei na frente de dois seguranças de Richard.— Quem manda na segurança externa?Eles olharam para Richard, que havia descido atrás de mim, porém, ele cruzou os braços.— Respondam.O chefe da equipe respondeu hesitante:— Eu, senhora.— Pegue quatro homens e um carro blindado. Agora.Richard interveio imediatamente, a voz dura:— Ninguém sai daqui.O homem congelou. Eu encarei Richard com ódio.— Vai me impedir? Porque eu garanto que quem roubou minha empresa não vai sobreviver ao dia de hoje.— Não é essa a questão agora, Sofia.— Essa é "minha" empresa, da minha família, e quem ousou me roubar vai pagar por isso! Não estou nem aí se você diz que agora manda alguma coisa aqui dentro... Eu vou resolv
Capítulo 9 Sofia Kim Em casa, simplesmente não o vi mais. Ótimo! Um pouco de privacidade. Elena trouxe uma bandeja com bastante comida e simplesmente dormi. Talvez fosse os remédios. No dia seguinte acordei melhor. Elena sorriu quando o médico me examinou e disse que eu podia trabalhar. — Senhora, tome seu café. — deixou uma bandeja nova. — Obrigada Elena. Tenho muito trabalho hoje. — Vá com calma senhora, ou qualquer hora vai matar o senhor Brown. — Não, coisa ruim não morre fácil assim, Elena. — ela levou a mão na boca. — Senhora! O patrão passou a noite na sua porta incomodando o neurocirurgião renomado que contratou só pra senhora ficar bem... — Ah é? Deve ser remorso... Elena apenas sorriu e saiu. Permaneci olhando para a bandeja por alguns segundos. Remorso... ou preocupação? Balancei a cabeça. Não. Richard Brown não se preocupava com ninguém. . Durante todo o caminho até a Kim, tentei tirar da cabeça o que Elena havia dito. Quanto mais eu tentava c





Último capítulo