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Capítulo 6 - A visita inesperada

Na segunda-feira seguinte, a movimentação habitual na Zanobi Corporation começava a tomar forma. Os funcionários voltavam aos seus postos, ainda comentando os excessos do fim de semana prolongado. As risadas soltas no corredor contrastavam com o semblante silencioso e introspectivo de Umberto.

Já recuperado da leve intoxicação alimentar que sofrera no domingo, ele chegou cedo à empresa, usando um traje menos formal do que o habitual. Cumprimentou os funcionários com acenos breves, distribuiu “bons dias” com um meio sorriso e se dirigiu à recepção com passos decididos.

— Preciso sair por algumas horas — disse calmamente à secretária. — Talvez o dia todo. Se perguntarem, diga que estou resolvendo algo pessoal. Mais tarde eu retorno com detalhes.

Nay, que já o conhecia bem, apenas assentiu com leve surpresa.

Mas o que chamou a atenção de alguns funcionários mais atentos foi o fato de que, em vez de sair com seu carro oficial, Umberto deixou o prédio e seguiu em direção à garagem lateral. Poucos minutos depois, o som de uma moto cortou o silêncio da manhã.

Umberto Zanobi partia sozinho, sem escolta, acelerando pela estrada com o rosto sério e o olhar fixo à frente. A poeira levantada pela velocidade se misturava com a névoa leve que cobria a estrada.

Na fazenda, o dia amanheceu tranquilo. Constantine ainda dormia, enquanto Ludovica já estava na cozinha, preparando o delicioso café da manhã. O cheiro de pão e café recém passado inundava a casa, acolhendo quem despertasse. Tommaso já estava de pé, sentado à mesa, trocando risadas com Pi, que chegara cedo para ajudar nos afazeres.

O barulho vindo da cozinha despertou Constantine. Ainda sonolenta, ela se aproximou sorrateiramente e interrompeu a conversa com um sorriso brincalhão:

— O que o senhor rei das batatas está fazendo aqui, com essa barulheira incomum?

As risadas se espalharam pela cozinha.

O sol se firmou no céu ainda pela manhã, e os afazeres na fazenda seguiram. Após um longo período de trabalho, Constantine e Pi decidiram ir até o rio pescar. Lá, a pescaria não saiu como esperavam. Constantine conseguiu pegar um peixe, mas Pi não teve a mesma sorte e se sentiu injustiçado.

— Isso não é justo! — reclamou Pi, emburrado. — Eu que sempre pego mais!

Para esquecer o fiasco da pescaria, ele a convidou para tomar banho no rio. Constantine hesitou, mas depois acabou aceitando. A cena que se seguiu foi divertida e cheia de risos — uma guerra de água, pulos e brincadeiras inocentes, como se o peso da vida tivesse sumido por um instante.

Enquanto isso, próximo à estrada de terra que margeava a fazenda, Umberto estacionava sua moto sob a sombra de uma grande árvore. Cansado da viagem, sentou-se por alguns minutos para recuperar o fôlego. O som do vento entre as folhas, o murmúrio das águas do rio ao longe e gargalhadas ecoando despertaram sua curiosidade.

Ele se levantou, recomposto, e seguiu em direção à fazenda. Foi recebido com simpatia por Tommaso e Ludovica, que o acolheram com um sorriso caloroso. Ludovica lhe ofereceu uma xícara de café quente e um pedaço de pão caseiro.

— O senhor é fazendeiro por aqui? — perguntou Tommaso, curioso.

Umberto apenas assentiu com um gesto contido, observando tudo à sua volta com descrição. Crianças começaram a se aproximar da casa, atraídas pela presença da grande moto estacionada. Os olhos delas brilhavam de curiosidade.

— É sua? — perguntavam animadas. — Leva a gente pra dar uma volta?

Logo, a algazarra infantil tomou conta do ambiente. As crianças o puxaram pela mão, insistindo para que ele fosse com elas até o rio. Umberto, ainda silencioso, as seguiu.

À medida que se aproximavam da margem, ele ouviu mais claramente as risadas que antes pareciam distantes. Mas então, ao dobrar o caminho entre as árvores, seus passos pararam. Seus olhos se fixaram à frente, e ele congelou.

No rio, Constantine e Pi brincavam na água com entusiasmo, completamente distraídos. O riso dela soava alto, puro, até o momento em que ela notou a movimentação entre as árvores. Parou de repente, fixando o olhar naquela figura imponente cercada de crianças.

Tia Constantine! Tia Constantine! — gritavam os pequenos.

Aos poucos, o sorriso dela esmoreceu. As ondas de alegria foram se desfazendo lentamente, e a guerra aquática cessou.

Ela saiu da água e caminhou lentamente até a margem. A expressão em seu rosto era séria, contida. As crianças ainda riam, mas começaram a silenciar ao notar o clima ao redor. Constantine se aproximou de Umberto e o cumprimentou:

— Boa tarde.

— Boa tarde — respondeu ele, com a voz calma e respeitosa.

Pi e as crianças foram à frente, deixando os dois parados ali, sob a sombra de uma árvore. Constantine o olhou por um momento. Os cabelos negros dele estavam um pouco bagunçados pelo vento, os olhos escuros mantinham-se atentos, e o porte firme parecia ainda mais marcante sob a luz do sol.

— Eu já estou procurando um lugar para morar com minha família — disse ela, com firmeza.

Umberto apenas assentiu com um leve aceno, mantendo-se em silêncio.

Eles não se afastaram. Continuaram ali por instantes, ouvindo o som das águas do rio e o farfalhar suave das folhas. Em certo momento, Umberto comentou:

— A natureza tem sua forma de nos fazer lembrar quem realmente somos. Gosto de coisas antigas. Há uma beleza em tudo que resiste ao tempo.

Constantine o observou por um instante e respondeu:

— Eu nunca imaginaria que a pessoa que fala coisas tão grosseiras com alguém, pudesse ter uma sensibilidade tão grande sobre a natureza.

Dito isso, ela caminhou de volta na direção das crianças.

Eles seguiram separados rumo à fazenda.

Quando retornaram à casa de Tommaso e Ludovica, o sol já se deitava sobre o campo, tingindo tudo com tons dourados e suaves. Tommaso, sempre sorridente, recebeu o grupo com os braços abertos e a alegria de quem valoriza cada visitante.

— Olha só, já está se familiarizando com o pessoal daqui! — disse ele, batendo com leveza no ombro de Umberto. — Essa aqui é minha neta, Constantine. Nosso raio de sol.

Constantine forçou um sorriso gentil, o mais pálido que conseguiu esboçar diante daquelas palavras. E assentiu com um leve aceno de cabeça, sentindo-se muito desconfortável.

As crianças, cansadas da algazarra, despediram-se aos poucos, voltando para suas casas, a sala da fazenda ficou em silêncio ameno, quebrado apenas pelo tilintar das xícaras de café.

Ludovica, atenciosa como sempre, servia Umberto com entusiasmo, enquanto Tommaso contava histórias do campo, rindo alto de suas próprias memórias.

Constantine se retirou discretamente. Subiu as escadas e fechou a porta do quarto com suavidade, mas por dentro, estava em turbilhão. Sentou-se na cama, e a angústia subiu como uma maré furiosa. O coração batia apertado diante da cena que presenciara: seus tios, acolhedores e afetuosos, tratando Umberto como um velho conhecido, sem saber que ele fora o mesmo homem que a humilhara dias antes.

— Qual é mesmo o seu nome? Eu acabei me esquecendo.

— Umberto — respondeu ele.

— Roberto… nome de homem de coragem e trabalhador! Disse Tommaso radiante.

Constantine voltou à sala pouco depois, agora com os cabelos úmidos presos por uma trança lateral, vestindo roupas leves. Sentou-se mais afastada sem dizer uma palavra.

Foi então que, de maneira surpreendentemente cordial, bem diferente do que Constantine havia presenciado na Zanobi Corporation, Umberto respondeu, ao ser questionado sobre o que fazia ali:

— Estou à procura de aventura. Peguei a estrada sem rumo. Gosto de natureza, de lugares antigos… e essa fazenda tem um charme peculiar.

Ludovica se levantou sorridente.

— A noite já caiu, nem percebemos com tanta conversa. Vou preparar o jantar!

Tommaso logo anunciou que também ia tomar seu banho, com o habitual entusiasmo — e, claro, com direito à cantoria debaixo do chuveiro. Constantine não pôde evitar um sorriso irônico. Tommaso demorava no mínimo duas horas para sair do banho. Isso significava que, por um bom tempo, restariam apenas ela e Umberto à mesa: dois oponentes, com a noite inteira pela frente.

Seguiu-se um breve silêncio.

Olhares disfarçados foram trocados. Constantine percebeu que precisaria quebrar aquele gelo. Tentou iniciar uma conversa:

— A que horas o senh…?

Mas a fala foi cortada no mesmo instante em que Umberto também falava:

— Há quanto tempo vo…?

Ambos pararam. E aquele entrechoque verbal só acentuou a tensão no ar.

Após alguns segundos, Constantine repetiu a pergunta.

— A que horas o senhor pretendia chegar?

Umberto respondeu com calma:

— Saí da cidade sem ter um horário combinado para voltar. Apenas afirmei que retornaria antes do anoitecer. Ou, ao menos, ao entardecer.

Logo em seguida, ele devolveu a pergunta:

— Há quanto tempo você mora aqui?

A conversa seguiu, e Umberto, curioso, tocou em outro ponto:

— Como sou novo por aqui, e adquiri essa fazenda recentemente… não sei quais trabalhos vocês exercem aqui. Qual é o tipo de plantação?

Constantine, cruzando os braços com um leve sorriso no canto da boca, respondeu em tom brincalhão:

— Espere até o jantar ficar pronto. Aí você vai saber.

E de fato soube.

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