O quarto era pequeno demais para tantos pensamentos.
Liana estava sentada na beira da cama estreita, o corpo inclinado em direção à única janela do lugar. Lá embaixo, o cheiro de pão fresco subia da padaria, era um cheiro de normalidade, de rotina, de vida seguindo em frente.
Ela suspirou pesado.
O céu estava cinza naquela manhã, uma névoa leve pairando sobre a rua estreita. Pessoas iam e vinham, algumas carregando sacolas, outras falando ao celular, todas com destinos definidos.
Diferente dela.
Liana não fazia ideia do que estava fazendo.
Tinha fugido de uma vida que desmoronou, tropeçado em outra que quase a matou e agora estava ali, escondida em um quartinho alugado às pressas, sem planos, sem certezas, sem ninguém.
Levou a mão ao peito sem perceber.
Havia dias que aquela sensação estranha insistia em aparecer. Um aperto que vinha do nada, como se algo puxasse por dentro, chamando por algo que ela não conseguia nomear.
E, contra a própria vontade, pensou nele.
Dante.
O beijo veio