Arthur escolheu uma sexta-feira para apresentar o que já era óbvio só para nós dois.
— É uma festa beneficente — explicou, na varanda, com o sol se pondo atrás dele como se até o céu quisesse emoldurar aquele momento. — Pro hospital infantil. Vai ter imprensa, empresários, filantropia e gente que adora fofocar.
— E por que eu preciso ir?
— Porque eu não quero mais que digam que você é “a babá que mora na ala dos hóspedes”. Quero que digam: “Essa é Mauren. A mulher do Arthur.”
Meu coração deu um salto.
— E a Sophia?
— Vai estar com Larissa e Dona Cida na ala infantil. Já organizaram brincadeiras, filme, tudo. Ela vai se divertir e você vai ficar comigo.
Houve um silêncio. Não de tensão, mas de promessa.
— E se a Valentina estiver lá?
— Se estiver, vai ver o que todos precisam ver: que eu escolhi você. E que isso não é fase, nem caridade. É amor.
Mirielen apareceu dois dias antes da festa, como havia prometido, com um vestido vermelho pendurado no braço e olhos brilhando.
— Você vai arr