Acordei com o coração ainda acelerado.
Não era só da noite mal dormida, era da lembrança dos lábios dele nos meus, do jeito que ele segurou meu rosto como se eu fosse feita de vidro, do silêncio depois, quando só restou o som da nossa respiração desencontrada.
“Eu sinto que, se eu tocar você agora, não vou conseguir parar.”
“Então não pare.”
Nunca tinha dito algo tão corajoso na vida.
E nunca tinha me sentido tão real.
Sophia já estava na cozinha, enrolando o mingau com uma colher, quando desci.
— Você tá com cara de quem sonhou com monstro bom! — disse, rindo.
— Quase isso — respondi, servindo o café. — Sonhei com um homem que finalmente parou de fingir que está tudo bem.
Ela me olhou com os olhos semicerrados, como se estivesse decifrando um código secreto.
— O papai?
— O papai.
Ela sorriu, satisfeita, e voltou a brincar com o mingau.
— Ele também tá com cara de monstro bom hoje.
Antes que eu pudesse responder, o interfone tocou.
— Visita para a senhora Mauren — anunciou a voz do se