Mundo de ficçãoIniciar sessãoWilliam
Cheguei na empresa 5 minutos mais tarde do que o habitual. Mas eu não batia ponto e nem precisava dar explicações para ninguém. Assim que entrei na empresa já fui recebido pelo meu secretário, Jonathan, que segurava o meu copo de café quente de todos os dias. Segui andando até a minha sala e Jonathan já me atualizava desde a entrada da empresa sobre o que teríamos de urgente para o dia. Todos os dias tudo parecia ser urgente, mas já havia me acostumado com a pressão. Hoje sou o diretor executivo dessa nossa empresa. Eu não o seria se não soubesse lidar com pressão. Pelo caminho até a minha sala, todos os outros funcionários pareciam se encolher nos seus recintos. E é assim que tem que ser mesmo. Todos ali não só precisam me respeitar, mas também precisam me temer, como temiam a meu pai. Precisam ter medo de perder seus empregos e de alguma forma prejudicar a empresa. Sabem bem que se um erro ali dentro é cometido, uma sequência de efeitos negativos acontece e o responsável por esse erro não consegue emprego em mais lugar nenhum. Meu pai me ensinou sobre esse método de trabalho. Sempre me disse que ali dentro não existiam amigos. São todos funcionários e precisam ser tratados como tais. É melhor sempre manter todos na linha e no nosso controle. Eu tinha 30 anos de idade e assumi essa empresa mais novo do que meu pai. Mas ele precisava passar a empresa para um dos filhos. Ele estava viajando muito para as nossas empresas nos outros países. E essa é nossa sede. Teria que ter alguém em tempo integral cuidando de tudo. Ele confiou essa missão a mim e eu a acatei. As vezes era cansativo. Mas assim que pensamentos como esse entravam na minha cabeça, eu tratava logo de tirar. Não tinha tempo para pensar em parar. - Senhor, a reunião das 10hrs foi adiada para as 17hrs. - Jonathan falou assim que chegamos na minha sala. - Por qual motivo? Todos sabem muito bem que nunca altero o horário das reuniões. Pontualiadade e comprometimento sempre! - Falei da forma de sempre. Eu nunca falava mais alto, nunca precisei me alterar. Mas minha voz sempre foi firme e direta, para nunca gerar segundas interpretações. - Foi o seu irmão, o Hugo, que mandou que mudássemos o horário. - Jonathan falou olhando para o chão. Hugo era um dos meus irmãos caçulas. Hugo e Benício eram gêmeos. Tinham 25 anos de idade. Ambos tinham cargos alto dentro da sede da nossa empresa, mas não era porque mereciam.Benício era menos irresponsável, mas não demonstrava verdadeiro interesse em fazer com que a empresa crescesse mais e seu papel na área de marketing era bem mediano. Mas apesar dos pesares, pelo menos ele fazia o trabalho dele. Não mais que o mínimo, mas fazia.
Em contrapartida, Hugo, não fazia nem o mínimo.
Hugo era festeiro e gostava de estar rodeado de mulheres, apesar de nunca ter namorado sério nenhuma delas. Dificilmente chegava no horário dentro da empresa e era o que menos participava das reuniões. Vivia em constante ressaca e por isso, muitas vezes, eu até preferia que ele não estivesse presente.
Mas mesmo com todos os defeitos ele ainda era um Said e eu não gostaria que a nossa imagem ficasse manchada por causa de meu irmão caçula.
- Pai, não acredito que a melhor escolha para o setor contábil seja o Hugo. - William falou alguns meses antes do seu pai partir para uma longa viagem pela Ásia.
- Ele é um Said, William e eu acredito que em algum momento ele tomará jeito. - Valentim Said falou, não parecendo muito interessado no assunto, enquando olhava pela porta de vidro a nova secretária de alguém que passava pela frente de sua sala.
Quando Valentim olhou para trás, viu a expressão séria no rosto de seu filho mais velho. William era o menos parecido com ele fisicamente falando. Herdou o tamanho e as feições de seu avô materno. Também não era o mais parecido com ele em questão de personalidade, apesar de sempre ter tentado muito ser o mais parecido possível com o pai. Apesar da pose de uma rocha, William sempre fora o mais sensível dos 3 filhos.
Valentim Said não gostava de ver em William a imagem de seu sogro, mas nunca pôde negar que de todos os seus filhos era o mais esforçado e dedicado.
William sempre quis tanto ter a aprovação do seu pai durante toda a sua vida, que não sabia de verdade do que ele mesmo gostava. Ele tentava ao máximo copiar todos os passos do pai para que um dia ele pudesse ser reconhecido por ele.
Benício era o preferido de seu pai. Era como se fosse a cópia ambulante de Valentim fisicamente. Mas não era nada esforçado e parecia que vivia no mundo da lua. Mas mesmo assim, parecia que era a alma gêmea de seu pai. William via como Valentim parecia se sentir a vontade com Benício. Algo que nunca tinha acontecido com ele.
Valentim era sempre muito duro com William. Dizia que por ele ser o mais velho, deveria ser o primeiro a dar os melhores exemplos e que por hereditáriedade, seria ele quem assumiria a maior posição dentro da sede. No dia que William recebeu essa notícia do pai, precisou segurar a sua animação. Valentim não gostava muito de demonstrações sentimentais, considerava que somente pessoas fracas demonstravam suas emoções. Mas mesmo que William soubesse que esse era o costume da família, que por direito o cargo seria dele por ele ser o mais velho, por um tempo ele acreditou que por questões de compatibilidade e de gosto mesmo, seu pai seria capaz de escolher Benício para assumir a presidência da empresa.
Valentim sabia bem o que fazia. Não deixava seus sentimentos na frente de absolutamente nada na sua vida. Sabia que a empresa estaria estável nas mãos de William.
- Senhor William..? A reunião.. preciso confirmar o horário. Preciso da sua autorização. - Jonathan falou sem querer interromper o momento de devaneio de seu chefe.
- Mantenha a reunião para as 10hrs da manhã independente de Hugo estar presente ou não. Mande que arrumem a sala. - William falou sentado em sua cadeira, olhando para aquela avenida cheia de pessoas, que mais pareciam ser do tamanho de formiguinhas ali de cima.
- ..Sim, senhor. - Jonathan disse. Ele sabia que Hugo poderia arrumar uma confusão por isso. Hugo não estava certo na maioria das vezes e todos sabiam disso, mas ele odiava ser subordinado de seu irmão mais velho e fazia o possível para tornar a vida de William mais difícil.
Assim que Jonathan saiu, William não pôde deixar de retornar os seus pensamentos para a nova babá de Bernardo. Ele só a tinha visto uma única vez e já estava obcecado por ela.
Ele ainda não tinha ideia do quanto...







