DANTE VELASQUEZ
Alfredo estava parado diante de mim, com as mãos cruzadas nas costas e a postura rígida de um guarda real, embora vestisse apenas um cardigã de lã sobre o pijama.
— Tem certeza disso, senhor? — Alfredo perguntou, a voz baixa, quase um sussurro conspiratório.
— Absoluta, Alfredo. — Fechei a pasta de couro azul que continha os anexos técnicos do contrato com a China. Ou melhor, uma versão deles.
Levantei-me e caminhei até o quadro de Monet. Deslizei a pintura para o lado, revelando o cofre.
— Há um vazamento nesta casa — continuei, digitando a senha. — Alguém está ouvindo atrás das portas.
— Revisei os antecedentes de todos os funcionários, senhor. A equipe de limpeza, o jardineiro novo, até o motorista do turno da noite. Todos parecem limpos.
— Ninguém é limpo se o preço for alto o suficiente, Alfredo. — Coloquei a pasta azul dentro do cofre, bem em cima de uma pilha de dinheiro, visível e tentadora. — É por isso que vamos testar.
— Uma isca? — Alfredo olhou pa