ARIEL MACEY
— Eu estava no corredor, indo para o meu quarto. Ouvi ela gritar "Papai". E depois ela me puxou pela mão gritando "Ariel".
Levei a mão à boca, chocada e as lágrimas transbordaram.
— Ela falou...
— Você destravou a voz dela — Dante disse, acariciando meu rosto. — O medo de te perder foi maior do que o trauma que a mantinha em silêncio. Você devolveu a voz da minha filha, Ariel.
Comecei a chorar. Luna falou. Ela falou meu nome.
Dante se inclinou e beijou minhas lágrimas, uma por uma.
— Não chore, por favor. O médico disse que você precisa ficar calma.
— Eu estou calma — solucei, rindo ao mesmo tempo. — Eu só... eu estou tão feliz.
— Eu também. — Ele suspirou, roçando o nariz no meu, se afastou e se sentou na beirada da cama, passando a mão pelos cabelos, olhando para o nada. — Quando eu vi o sangue nas minhas mãos... — ele sussurrou, como se falasse consigo mesmo. — Pensei que a história estava se repetindo. Pensei na Michelly. Pensei que eu era amaldiçoado