DANTE VELASQUEZ
O domingo amanheceu com uma tranquilidade que não combinava com as emoções assombrosas das últimas vinte e quatro horas.
O quarto de hóspedes onde Ariel estava instalada por insistência dela durante a noite, para manter as aparências, estava banhado por uma luz cinzenta e suave, típica de Seattle.
Eu estava sentado na poltrona no canto do quarto, com o laptop aberto no colo, fingindo trabalhar. Mas meus olhos não liam os relatórios de conformidade. Meus olhos estavam fixos na cama.
Ariel dormia. Ela parecia pálida, frágil, como uma boneca de porcelana que eu quase deixei quebrar.
A porta do quarto se abriu com um rangido quase imperceptível.
Levantei a cabeça imediatamente.
Uma cabeleira loira despenteada apareceu na fresta. Luna.
Ela segurava uma bandeja de madeira com as duas mãos, mordendo o lábio inferior em concentração absoluta. Na bandeja, havia uma xícara de plástico, uma torrada ligeiramente queimada e uma flor amarela que eu suspeitava ter sid