ARIEL MACEY
Não houve aviso, nem preliminares, nem aquele momento de hesitação onde um pergunta silenciosamente se o outro quer.
Quando Dante tomou minha boca, ele não pediu permissão. Foi como uma colisão violenta de planetas que orbitavam em direções opostas. Os lábios dele eram firmes, quentes e tinham o gosto inconfundível do carvalho defumado do Macallan, misturado com algo puramente masculino e perigoso.
Minha mente, enevoada pelo álcool, tentou gritar um protesto fraco lá no fundo. Tentou levantar uma bandeira vermelha e berrar. Mas o grito morreu na minha garganta, sufocado por um gemido baixo e traidor que não consegui conter quando a língua dele tocou a minha.
Era uma língua exigente e possessiva, que explorava cada canto da minha boca como se estivesse demarcando território. E eu deixei. Deus, como eu deixei.
Minhas mãos, que deveriam empurrá-lo ou bater no peito dele, traíram minha consciência. Elas subiram sozinhas, movidas por uma vontade própria que parecia des