DANTE VELASQUEZ
Observei o líquido âmbar desaparecer entre os lábios dela.
Ariel não fez careta. Nem tossiu como uma amadora. Ela engoliu o uísque de vinte e cinco anos com apreciação, os olhos fechando brevemente enquanto descia por sua garganta.
Quando ela abriu os olhos novamente, eles estavam brilhantes, refletindo a luz dourada.
— Gostou? — perguntei.
— É bom. — ela respondeu, depositando o copo vazio na mesa de centro. — Tem gosto de fumaça e dinheiro.
Soltei uma risada curta.
— Uma descrição precisa.
Sem perguntar, peguei a garrafa e inclinei sobre o copo dela.
— Mais um?
Ariel olhou para o copo, depois para mim. A prudência lutava contra a imprudência no rosto dela. A prudência perdeu e ela assentiu devagar.
— Só mais um. Para ajudar a dormir.
Servi uma dose generosa para ela e enchi o meu novamente.
Bebemos. E depois bebemos mais um pouco. O álcool, potente e puro, começou a dissolver as barreiras que passei anos construindo.
Quando virei a garrafa para servir a terceira dos