DANTE VELASQUEZ
O escritório na Velasquez International estava imerso em um silêncio incessante.
Eu não bebia há doze horas. Minha cabeça estava limpa, mas era uma clareza fria, como se meu cérebro tivesse sido mergulhado em nitrogênio líquido. A pilha de post-its coloridos que eu tinha encontrado na noite anterior já não estava mais comigo. Eu os tinha queimado na pia do banheiro, assistindo a tinta azul e a caligrafia delicada virarem cinzas pretas e irreconhecíveis.
A porta se abriu.
Não precisei levantar os olhos dos relatórios para saber quem era. Blake tinha um passo pesado, característico de ex-militar.
— Entre e feche a porta — ordenei, riscando um parágrafo no contrato com uma caneta tinteiro.
Blake obedeceu. Ele caminhou até a cadeira em frente à minha mesa, mas não se sentou. Ele segurava uma pasta parda fina. Fina demais para conter boas notícias.
— Você disse que queria a resposta em uma hora — Blake começou. — Levei doze. Peço desculpas pelo atraso, Sr. Velasquez.