119 - VITTORIA, NÃO!

ARIEL MACEY

A poeira de tijolo e cimento parecia pó de ouro sob o sol da tarde.

Para qualquer outra pessoa, aquele era apenas um canteiro de obras barulhento e sujo. Para mim, era o som da minha independência sendo construída, martelada e concretada.

Ajeitei o capacete branco de segurança sobre o meu cabelo preso e apontei para a viga mestra do salão principal da antiga tecelagem.

— No, no! — falei em meu italiano cada vez melhor para o mestre de obras, Giuseppe. — Quella parete deve essere di vetro. Voglio luce! (Aquela parede deve ser de vidro. Quero luz!)

Giuseppe riu, limpando o suor da testa com o antebraço.

— Signora Rossi, a senhora quer transformar uma fábrica em uma estufa!

— Eu quero transformar uma fábrica em um lugar de beleza, Giuseppe. Vidro. Do chão ao teto.

— Va bene, va bene. O chefe vai pagar a conta do ar condicionado mesmo...

Sorri, satisfeita, e me virei para verificar as amostras de piso que estavam espalhadas sobre uma mesa improvisada de cavaletes.

Foi
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