ARIEL MACEY
A poeira de tijolo e cimento parecia pó de ouro sob o sol da tarde.
Para qualquer outra pessoa, aquele era apenas um canteiro de obras barulhento e sujo. Para mim, era o som da minha independência sendo construída, martelada e concretada.
Ajeitei o capacete branco de segurança sobre o meu cabelo preso e apontei para a viga mestra do salão principal da antiga tecelagem.
— No, no! — falei em meu italiano cada vez melhor para o mestre de obras, Giuseppe. — Quella parete deve essere di vetro. Voglio luce! (Aquela parede deve ser de vidro. Quero luz!)
Giuseppe riu, limpando o suor da testa com o antebraço.
— Signora Rossi, a senhora quer transformar uma fábrica em uma estufa!
— Eu quero transformar uma fábrica em um lugar de beleza, Giuseppe. Vidro. Do chão ao teto.
— Va bene, va bene. O chefe vai pagar a conta do ar condicionado mesmo...
Sorri, satisfeita, e me virei para verificar as amostras de piso que estavam espalhadas sobre uma mesa improvisada de cavaletes.
Foi