HENRICO VIGNETO
A luz da manhã na Toscana infiltrou-se pelas frestas das venezianas pintando faixas douradas sobre os lençóis brancos.
Eu estava acordado há meia hora, mas me recusava a me mover, porque ao meu lado, Ariel dormia profundamente.
Ela estava deitada de bruços, com o rosto virado na minha direção, uma das mãos espalmada sobre o meu peito, como se estivesse reivindicando território até no sono. O cabelo ruivo estava espalhado pelo travesseiro e pelas costas, como um fogo bagunçado que eu adorava.
Observei o ritmo da respiração dela. O pequeno tremor das pálpebras. A curva suave dos lábios inchados por minha culpa, e eu me orgulhava disso.
Parecia irreal.
Por mais de um ano, eu a desejei de longe. Respeitei o luto dela, a gravidez, o puerpério. Fui o amigo, o protetor e o "pai" substituto. Construí essa relação tijolo por tijolo, com uma paciência que eu não sabia que possuía.
E agora ela estava aqui. Na mesma cama que eu. Com meu anel no dedo e meu cheiro na pele.
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