30. Ligação
Elise Quinn
A mansão estava silenciosa demais naquela noite.
Não sabia onde Atlas estava, e sinceramente era melhor nem saber.
Eu me sentei na beirada da cama, as pernas dobradas contra o peito, os braços envolvendo os joelhos como se isso pudesse me proteger do que estava acontecendo dentro de mim.
O quarto ainda cheirava a ele: uísque, couro, fumaça de cigarro.
Atlas havia saído há horas, depois daquela discussão no jardim. Depois que Victor tocou meu braço e ele quase perdeu o controle.
Vi nos olhos dele algo que não era só raiva. Era medo. Medo de perder mais alguém.
Eu não conseguia parar de pensar na noite que passamos. No jeito como ele me tocou como se eu fosse frágil e ao mesmo tempo a única coisa que o mantinha inteiro.
No jeito como gozou murmurando meu nome como se fosse uma oração. E na manhã seguinte, quando ele saiu sem dizer nada. Sem um beijo. Sem um olhar. Só um "não conta pra ninguém" que doeu mais que qualquer tapa.
Respirei fundo, tentando afastar as lágrimas.
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