16. Em Pânico

Elise Quinn

A primeira coisa que volta quando recobro a consciência é a dor.

Uma pressão surda na cabeça, como se alguém tivesse apertado o mundo inteiro contra meu crânio. O cheiro vem logo depois. Ferrugem. Óleo. Algo químico que queima o nariz.

Porra.

Abro os olhos devagar.

Está tudo escuro.

Não um escuro completo. Era um escuro sujo, recortado por uma lâmpada fraca que piscava sem parar no teto. Estou deitada sobre algo duro. Frio. Concreto.

Levo a mão até a testa e meu corpo inteiro dói.

Quando tento me mexer, o pânico vem imediatamente.

Meus pulsos estão presos atrás das costas. Braçadeiras de plástico apertam a pele com força demais. Minhas pernas também estão amarradas. A roupa que eu usava estava rasgada na lateral. Meu coração dispara.

— Não… — minha voz sai rouca, quase inexistente. — Merda merda…

A última imagem volta como um estilhaço: o táxi derrapando. O impacto. A mão grande me puxando. A arma na minha cabeça.

“Quietinha, vadia.”

Engulo em seco.

— Acordo
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