11. Dama de vermelho
Elise Quinn
Minha vida virou do avesso tão rápido que, às vezes, tenho a sensação de que ainda não alcancei o próprio corpo.
Eu estava sentada na beira da cama, girando a chave entre os dedos.
A chave da casa dos meus pais. De tudo que achei que tinha perdido.
Atlas comprou a casa.
Não por estratégia. Porque ele sabia o que aquilo significava para mim.
O que não fazia sentido algum.
Ele me odiava. Ou, pelo menos, era isso que repetia para si desde o dia em que Damien morreu. Ou melhor, até antes mesmo do casamento.
Então por que atravessar essa linha? Por que gastar dinheiro, favores e influência para devolver algo que nunca foi dele?
Fechei a mão ao redor da chave.
Talvez ele se importasse mais do que estava disposto a admitir.
Ou talvez eu estivesse procurando significado onde não devia.
Atlas Cross era uma incógnita, e eu não conseguia desvendar.
A batida na porta me arrancou dos pensamentos.
— Entra.
Atlas entrou sem cerimônia, como sempre.
— Preciso que vá a um local comigo.—