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Capítulo 6: A Linha do Pecado

POV Evelyn

Ouvir Damien dizer, com tanta frieza, que a esposa dele não significava nada foi o ápice do meu divertimento na noite. Ele estava encurralado entre o meu corpo e a mesa de maquiagem, com os olhos injetados de luxúria, completamente cego pela ilusão de cabelos prateados que eu tinha criado. Ele achava que estava traindo a esposa pacata com uma stripper perigosa; mal sabia que estava se humilhando e gastando uma fortuna pela mesma mulher que ignorou no altar algumas horas antes.

— Uma resposta previsível de um homem casado — sussurrei contra o maxilar dele, deslizando minhas mãos pelo seu pescoço. — Mas já que você pagou tão caro pelo meu tempo... acho justo que eu dê a você o que veio buscar.

Eu não ia apenas dançar para ele hoje. Eu queria esticar a corda até quase arrebentar.

A música de jazz que tocava ao fundo parecia ditar o ritmo lento do meu quadril contra o dele. Damien soltou um gemido abafado quando me inclinei para trás, apoiando as mãos na mesa de maquiagem e arqueando o corpo. Dei total liberdade para ele. Como ele tinha deixado uma mala de dinheiro na entrada, hoje as regras da casa seriam ligeiramente flexibilizadas. Eu queria ver até onde o controle do grande CEO de Montreal aguentava antes de virar pó.

— Toque — ordenei em um sussurro rouco, perto do ouvido dele. — O que você quer fazer, Damien?

Ele não precisou ouvir duas vezes. As mãos grandes e quentes dele, que antes estavam hesitantes, agarraram a minha cintura com uma força possessiva que me fez arrepender as costas. Ele apertou os meus quadris, puxando-me com força contra a sua braguilha, onde a rigidez dele era quase violenta. Damien enterrou o rosto no meu pescoço, respirando fundo, distribuindo beijos sôfregos na minha pele enquanto subia as mãos pela renda do meu espartilho.

— Você é um demônio, Alaska... — ele arfou, a voz completamente destruída pelo desejo. Os dedos dele subiram pelas minhas costelas, apertando os meus seios por cima do tecido cravejado de cristais. Um calafrio real subiu pela minha espinha. A pegada dele era bruta, firme, o toque de um homem que estava faminto há anos.

Eu queria mais. Queria que ele ficasse tão obcecado a ponto de não conseguir respirar sem pensar em mim.

Segurei o rosto dele com as duas mãos, enterrando os meus dedos em seus cabelos loiro-escuros, e puxei a cabeça dele para cima. Prendi o olhar dele ao meu por trás da máscara. Os lábios de Damien estavam entreabertos, os olhos totalmente nublados. Sem dar tempo para ele processar, eu o beijei.

Não foi um beijo casto. Foi um ataque.

Inundei a boca dele com o meu sabor, prendendo os seus lábios entre os meus, usando a língua para ditar um ritmo urgente e profano. Damien soltou um rugido baixo contra a minha boca e me prensou com força total contra a mesa de maquiagem. Os vidros de perfume e os pincéis chacoalharam atrás de mim. Ele assumiu o controle do beijo, me devorando com uma agressividade que fez minhas pernas tremerem. Uma das mãos dele desceu rapidamente pela minha coxa, rasgando levemente a borda da minha meia 7/8 para sentir a minha pele nua. Os dedos dele subiram perigosamente, apertando a minha intimidade por cima da calcinha de renda.

Eu soltei um gemido genuíno contra os lábios dele. O calor daquele camarim era sufocante. Damien estava completamente descontrolado; ele me apertava como se quisesse me fundir ao corpo dele, as mãos mapeando cada curva minha com uma urgência doentia. Ele desceu o beijo para o meu pescoço, mordendo de leve a minha pele enquanto uma de suas mãos tentava abrir o fecho lateral do meu espartilho.

Aquele era o limite. Se ele abrisse o espartilho, veria a marca de nascença que eu tinha logo abaixo do seio esquerdo — a mesma marca que ele veria se um dia olhasse para a sua esposa sem sal na luz do dia.

Com um esforço enorme de vontade, segurei as mãos dele e quebrei o contato. Usei toda a minha força para empurrá-lo um passo para trás.

Damien cambaleou, respirando como se tivesse corrido uma maratona. O batom vermelho-escuro estava todo borrado ao redor da boca dele, os cabelos bagunçados e o terno completamente amassado. Ele parecia um homem saído de um confronto, de joelhos diante do meu altar de mentiras.

Olhei para o relógio na parede. Onze e meia da noite. O tempo dele tinha estourado, e o meu prazo de fuga estava correndo.

Caminhei até a porta do camarim com as pernas ainda bambas, mas mantendo a postura firme de Alaska. Girei a chave e abri a porta de uma vez, apontando para o corredor iluminado.

— Acabou por hoje, Sr. Blackwood — disse, com a voz arrastada, limpando o canto da minha boca com o polegar de forma provocante.

— Alaska... não — ele deu um passo na minha direção, os olhos suplicantes, a calça visivelmente marcada. Ele estava sofrendo com o tesão acumulado. — Eu não vou embora assim.

— Você vai — sorri com escárnio por trás da máscara. — O seu tempo acabou. E você tem uma esposa esperando por você na mansão, lembra? Vá para casa, Damien.

Ele travou o maxilar de um jeito que achei que os dentes dele fossem quebrar. Ele olhou para mim, depois para a porta aberta, sabendo que Roman e mais três seguranças da boate estavam do lado de fora caso ele tentasse fazer alguma loucura. Damien limpou a boca com as costas da mão, encarando o batom vermelho na sua pele como se fosse uma marca de guerra.

— Isso não vai ficar assim — ele sibilou, a voz rouca de ódio e luxúria. — Eu vou comprar este lugar se for preciso, mas eu vou ter você por uma noite inteira.

— Boa sorte tentando — dei de ombros, fria como o gelo.

Damien saiu pisando firme pelo corredor. No momento em que ele dobrou a esquina em direção ao lounge, vi Roman fazer o sinal com a cabeça para os homens da recepção. O plano de atraso estava em ação. Eles iam trancar Damien em uma burocracia de conferência de conta VIP por exatos trinta minutos.

Eu não perdi um segundo. Bati a porta do camarim e voei.

***

Arranquei a peruca prateada, joguei a máscara na mesa e usei um lenço com demaquilante para esfregar o meu rosto com força, tirando qualquer vestígio do batom vermelho e da maquiagem pesada. Tirei o espartilho, vesti a minha calça de moletom cinza e o suéter largo de tricô. Prendi o meu cabelo no coque bagunçado e joguei os itens de Alaska na bolsa com fundo falso. Peguei a maleta de dinheiro, dei uma boa quantia ao meu segurança, que sorriu e me deu uma piscadela.

Saí correndo pelas portas dos fundos do Le Mirage, onde o frio congelante de Montreal me atingiu como um tapa. Entrei no meu carro velho e discreto, dando partida e pisando fundo na neve. Minhas mãos ainda estavam tremendo no volante, o gosto de Damien ainda vivo na minha boca.

Dirigi como uma louca pelas ruas desertas e escorregadias até os portões de Westmount. Passei pelos seguranças da guarita da mansão, estacionei nos fundos e entrei pela porta de serviço da ala leste às onze e cinquenta e cinco da noite.

Corri para o quarto de hóspedes, joguei a bolsa no fundo do closet, deitei na cama e puxei as cobertas até o queixo. Tentei desacelerar a minha respiração, fechando os olhos e fingindo o sono mais profundo do mundo.

Exatamente às meia-noite e vinte, o som do motor potente do carro de Damien ecoou na garagem da mansão.

Segurei o lençol com força embaixo das cobertas. Ouvi os passos pesados dele subindo as escadas. Ele não foi direto para a ala oeste dele. Os passos dele mudaram de direção e começaram a vir na direção da ala leste. Na direção do meu quarto.

A maçaneta da minha porta girou devagar. Damien abriu a porta em silêncio.

Pela fresta dos meus olhos quase fechados, vi a silhueta dele contra a luz do corredor. O terno dele estava desalinhado, e ele ainda exalava uma aura de pura frustração e raiva. Ele ficou parado na porta por quase dois minutos, olhando para mim, para a minha figura "inocente, sem sal e adormecida" debaixo das cobertas.

Ele soltou uma risada nasalada, cheia de desprezo. Damien achava que eu era patética. Um estorvo que estava dormindo feito um anjo enquanto ele queimava no inferno por causa de uma stripper.

Ele fechou a porta com força e bateu o pé em direção ao seu quarto na ala oeste.

Soltei o ar que estava prendendo, abrindo os olhos na escuridão do quarto. Um sorriso enorme e vitorioso brotou nos meus lábios. Morda o anzol, Damien. Morda com força. Porque a sua esposa sem sal acabou de colocar você de joelhos.

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