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Capítulo 5: O Preço do Pecado

POV Evelyn

O relógio do painel do meu carro marcava exatamente vinte horas e quarenta e cinco minutos quando estacionei nos fundos do Le Mirage. Meu horário de entrada era rigoroso: eu precisava estar pronta às 21h e meu expediente ia até a meia-noite. Três horas de pura adrenalina e controle absoluto.

Passar pelos fundos da boate e entrar no meu camarim era como trocar de pele. Deixei o moletom cinza e o coque sem graça de Evelyn Laurent para trás. Vesti o espartilho cravejado de cristais prateados, ajustei as meias 7/8 e, por fim, coloquei a peruca de fios platinados e a máscara veneziana. Quando olhei no espelho, Alaska estava de volta.

Eu estava terminando de passar o batom vermelho-escuro quando Roman bateu na porta e entrou, com os braços cruzados sobre o peito maciço.

— O seu marido já está na mesa VIP principal faz meia hora — Roman disse, com um meio sorriso de lado. — O cara nem tocou na bebida. Só fica de olho no palco. E a Sienna já tentou ir até a mesa dele duas vezes, mas ele dispensou a garota sem nem olhar na cara dela.

— Ótimo — sorri, ajeitando a máscara. — Deixe ele esperar mais um pouco. Homens como Damien Blackwood precisam entender que o dinheiro deles compra o mundo, mas não compra o meu tempo.

— Ele mandou o garçom perguntar três vezes se você vai fazer uma dança privada hoje.

— Diga que eu estou pensando. E lembre-se do nosso combinado: quando ele sair daqui, você segura o homem por trinta minutos.

— Pode deixar. Minha equipe já inventou uma suposta "inconsistência de segurança eletrônica" no sistema de cartões VIP. Ele não sai do lounge antes do tempo.

Dei um tapinha no ombro de Roman e saí para o show. Quando subi ao palco às 21h, a boate quase veio abaixo. Fiz a minha performance habitual, deixando o corpo fluir sob a luz prateada, focando o meu olhar em Damien apenas o suficiente para deixá-lo tenso na cadeira. Do palco, vi quando Sienna me encarou dos bastidores, com os olhos faiscando de inveja. Ela odiava o fato de eu ser a intocada.

Às 22h30, decidi que era hora de brincar de verdade. Voltei para o camarim e mandei o garçom entregar o recado a ele: se quisesse cinco minutos da minha atenção, o lance inicial de gorjeta na caixinha da entrada precisava ser astronômico.

E, claro, Damien não hesitou. Ele pagou uma pequena fortuna em dinheiro vivo só para ter o direito de girar a maçaneta do meu quarto.

***

POV Damien

Entrei naquele camarim sentindo o meu sangue pulsar nas têmporas. O cheiro dela estava ali, o jazz lento estava tocando e a luz vermelha deixava tudo com uma atmosfera pecaminosa. Alaska estava sentada na sua poltrona de couro, com as pernas cruzadas, bebendo algo em uma taça de cristal.

A peruca prateada brilhava e a máscara escondia o seu rosto misterioso. Eu a encarei, tentando decifrar quem era aquela mulher por trás do disfarce, mas a voz dela — sussurrada, sensual e levemente rouca pela personificação que ela usava — me tirou do eixo imediatamente. Era impossível associar aquela deusa dominante à garota sonsa, vestida de renda barata e de cabelos castanhos presos com quem eu tinha me casado naquela mesma manhã. Eram dois mundos completamente opostos.

— Você é um homem persistente, Sr. Blackwood — ela disse, a voz arrastada, cheia de deboche. — E bem generoso com as suas gorjetas.

— Eu disse que voltaria — dei dois passos na direção dela, tirando as mãos dos bolsos. — E eu cumpro as minhas promessas.

Alaska deu uma risada baixa, um som que vibrou direto no meu estômago. Ela colocou a taça de lado e se levantou devagar, caminhando até mim com aquela elegância felina.

— Eu soube do seu casamento hoje de manhã — ela comentou, parando bem na minha frente. O topo da cabeça dela mal chegava ao meu queixo, mas o poder que ela exalava a tornava gigante. — Os jornais de Montreal não falam de outra coisa. O grande CEO bilionário se casando com uma mocinha inocente e sem dinheiro...

Fiquei tenso. Ouvir aquilo saindo da boca da stripper que estava me enlouquecendo me deu uma pontada estranha de culpa, misturada com uma raiva possessiva.

— Isso não muda nada aqui dentro — retruquei, a voz grossa. — É apenas um negócio.

— Ah, eu sei — ela passou o dedo indicador pelo lapela do meu terno, de um jeito tão leve que quase me fez perder a postura. — Não é novidade nenhuma que homens casados amam frequentar lugares assim... mas ver você aqui, na sua própria noite de núpcias, confesso que foi uma surpresa. Pensei que estaria em casa, cumprindo os seus deveres de marido com a sua nova e pacata esposa.

O deboche na voz dela me irritou, mas o toque do seu dedo no meu peito estava me deixando duro em segundos.

— Aquela garota não significa nada para mim — assumi, dando um passo para frente, encurralando o corpo dela contra a mesa de maquiagem. — Ela é só um nome em um papel de contrato. Você é a única mulher que está na minha cabeça desde ontem, Alaska.

Por trás da máscara, os olhos dela brilharam com uma intensidade assustadora. Ela deu um sorriso de canto, os lábios vermelhos se entreabrindo.

— Uma resposta previsível de um homem casado — ela sussurrou, deslizando as mãos pelo meu pescoço, puxando-me de leve para baixo. — Mas já que você pagou tão caro pelo meu tempo... acho justo que eu dê a você o que veio buscar.

Quando o quadril dela colou no meu, a minha mente simplesmente desligou. Eu esqueci o contrato, esqueci o meu avô, esqueci a existência de Evelyn Laurent na minha mansão. Naquele camarim de luz baixa, sob o efeito do perfume adocicado de Alaska, eu era apenas um homem completamente rendido e dominado por uma mentira perfeita. E eu pagaria qualquer preço para continuar naquele inferno.

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